Alliance e Gracie goleiam no 1º Brasileiro de Equipes de Jiu-Jitsu

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Os campeões do primeiro brasileiro de equipes: De pé o time pesado da Alliance (acima de 73kg): Castello, Viking, Gurgel, Paiva, Traven, Jamelão e Borgo. Agachados: os campeões leves (até 73kg) da Gracie: Barreto, Royler, Coelho, Saulo e Tomadinha

Gurgel x Roleta, Royler x Melo, Castello x Roleta, Leozinho x Saulo. Estes foram alguns dos clássicos que marcaram o primeiro brasileiro de equipes de Jiu-Jitsu realizado pelo presidente da recém fundada CBJJ, Carlos Gracie Junior,  nas dependências da Gama Filho no dia 6 de maio de 1995.

Texto e fotos: Marcelo Alonso

Os campeões do primeiro brasileiro de equipes: De pé o time pesado da Alliance (acima de 73kg): Castello, Viking, Gurgel, Paiva, Traven, Jamelão e Borgo. Agachados: os campeões leves (até 73kg) da Gracie: Barreto, Royler, Coelho, Saulo e Tomadinha

DOIS PESOS E MARRONS E PRETAS JUNTOS 

Seis meses depois do bem sucedido brasileiro de JJ, até então o maior evento de Jiu-Jitsu já feito no Brasil, Carlos Gracie resolveu inovar trazendo pela primeira vez no Jiu-Jitsu uma formula vencedora do Judô, o confronto de equipes. E esta primeira experiência não poderia ser melhor.    

As equipes eram divididas em três graduações (Marrom/Preta, Roxa e Azul) e duas categorias de peso: Leve (até 73kg) e pesado (acima de 73kg). Uma combinação nova no Jiu-Jitsu que  permitiu o casamentos de clássicos inimagináveis para a época. 

Cada equipe contava com cinco atletas titulares e dois suplentes, fato que proporcionava maior poder de fogo aos treinadores que podiam substituir seus lutadores à cada nova etapa. Os confrontos entre as equipes eram decididos em cinco lutas feitas pelos titulares e a equipe que obtivesse maior número de vitórias sagrava-se vencedora da etapa. 

O mais interessante era a maneira como as lutas eram casadas com os adversários sendo definidos minutos antes. Cada treinador numerava sua equipe de 1 a 5, depois a mesa casava os números das equipes que se confrontavam (1×1, 2×2 e assim por diante).

ALLIANCE 8 X 0 BARRA GRACIE 

Na categoria mais aguardada (Preta pesado), a Alliance caiu de cara com a Barra Gracie. Basicamente um confronto entre os faixas pretas veteranos de Romero Jacaré e os faixas marrons de Carlos Gracie Jr. que começavam a se destacar no cenário. 

Logo na primeira luta Fabio Gurgel garantiu o primeiro ponto da Alliance passando a guarda, até então intransponível, do fenômeno Roberto Roleta. Na sequência Castello Branco finaliza Rommel Cardoso com um belo armlock e amplia pra Alliance, 2×0. Roberto Traven garante a vitória passando por pontos por outro novo talento da faixa marrom, Daniel Simões. Com a Alliance garantida na final Alexandre Paiva garante o 4 x 0, vencendo Eduardo Lima.

Como só havia três equipes inscritas, o time da Barra voltou para enfrentar o time de Crézio de Souza que estava de By. Com a vitória por 3×1 a Barra volta a lutar a final com a Alliance. Desta vez os treinadores Carlinhos Gracie e Romero Jacaré mudaram os números permitindo novos clássicos.

Castello aplica uma omoplata em Roleta na final entre Alliance e Barra.

Castello abriu o placar derrotando Roleta após passar a montar. Na sequência Gurgel superou Eduardo Lima (2×0); Alexandre Paiva venceu Daniel Simões e na ultima luta, Jamelão garantiu o 4×0 vencendo Rommel Cardoso. 

A ausência da equipe Carlson Gracie na competição gerou lamentação entre os fãs. Se entrasse com força total (com Bustamante, Libório, Bolão, Amaury, Zé Mario e Wallid), a equipe Carlson certamente teria proporcionado contra a Alliance, alguns dos maiores clássicos da história numa mesma competição. Mas o fato é que a esta altura os principais pretas da Carlson já começavam a focar no Vale-Tudo.  

ROYLER COMANDA EXÉRCITO DE MARRONS

Se entre os mais graduados pesados, a experiencie e superioridade técnica dos faixas pretas garantiu duas goleadas em um placar de 8 x0 para Alliance sobre os talentos que surgiam da Barra, entre os graduados leves (até 73kg), o time de marrons da Gracie Humaita, liderados por Royler Gracie levou o ouro em cima de uma equipe toda de faixas marrons da Alliance.  Como só havia duas equipes inscritas, o primeiro confronto já definiu o pódio. 

Saulo Ribeiro abriu o placar pra Gracie aplicando uma queda em Leozinho Vieira (1×0); Renato Barreto ampliou finalizando Roninho com um estrangulamento (2×0). O 3×0 que garantiu a vitória da Gracie veio com o general Royler finalizando Marcelo Mendes também com um estrangulamento. Paulo Coelho garantiu o 4×0 vencendo Muzio de Angelis na combatividade. Cleber “Tomadinha” Luciano fechou em 5×0 vencendo Octavio “Ratinho” Couto por pontos.       

 

A UNIÃO FEZ A FORÇA

Entre os menos graduados a união fez a força. Enquanto Bolão se juntou com Bustamante (Murilo / Bolão), André Pederneiras, faixa preta de Carlson, promovou uma união com Wendell Alexander do Melo Tenis clube, criando a Nova União, primeira equipe de Jiu-Jitsu que unia talentos do subúrbio (linhagem Fadda) e da Zona Sul (linhagem Gracie).  

André Pederneiras e Wendell (Melo Tenis Clube) uniram as linhagens Fadda e Gracie e levaram três pratas na primeira competição da Nova União.

E estas novas configurações proporcionaram grandes confrontos tanto na faixa azul quanto na roxa. Ao contrário dos mais graduados, na faixa azul leve, por exemplo, havia nove equipes inscritas. Na final a equipe Murilo/Bolão venceu por 3×2 a Nova União. 

Sete equipes se inscreveram na faixa azul pesado, onde a Barra foi a grande campeã, vencendo a Alliance de virada na grande final, depois de estar perdendo por 2×0.   

O roxa leve também teve emoção na final com a Barra garantindo o ouro num emocionantes 3×2 contra a Nova União . 

Na roxa pesado só havia três inscritos. A Barra abriu vencendo a Murilo/Bolão, que na sequência eliminou a Alliance e voltou para um novo confronto com a Barra. Desta vez a situação se inverteu e a equipe de Murilo e Bolão se sagrou campeã.    

A reportagem do brasileiro de equipes mereceu a capa dos jornais Tatame e Gracie em Julho de 1995, sendo publicada em duas páginas na KIAI de agosto de 1995.  

A partir dos erros e acertos desta competição, Carlinhos Gracie foi ajustando as engrenagens com sua equipe, permitindo que dali a oito meses fosse gestado o 1º Mundial, no Tijuca Tenis Clube, um marco na virada da modalidade.