Faltando pouco mais de um ano para os 8º Jogos Mundiais Militares de Verão, que serão disputados em 2027, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, a equipe do Projeto Lutando com Energia/Marinha/Emgepron já trabalha com foco na principal competição do esporte militar internacional. Considerado o segundo maior evento multiesportivo do mundo, atrás apenas dos Jogos Olímpicos, o torneio reúne atletas militares de mais de 100 países e costuma contar com medalhistas olímpicos e campeões mundiais em diversas modalidades.

Uma das potências da competição no boxe, o Brasil mantém, por meio da Marinha do Brasil e com apoio da Emgepron, um grupo permanente de 25 atletas de alto rendimento que treinam na estrutura do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio de Janeiro. Além das instalações esportivas, a equipe conta com médicos, dentistas, nutricionistas e profissionais de diferentes áreas que acompanham diariamente a preparação dos atletas.
À frente da preparação física e técnica está o treinador Nemo Judice, que conduz um planejamento voltado especificamente para os Jogos Mundiais Militares. Segundo ele, o desafio passa pelo momento em que o atleta precisa alcançar sua melhor condição.
“O grande segredo é fazer com que o atleta atinja o pico de performance justamente na competição militar. Muitos deles disputam o calendário da seleção brasileira e precisam de uma adaptação entre o ciclo civil e o ciclo militar. Nossa metodologia foi desenvolvida para administrar esse conflito e fazer com que eles cheguem no melhor nível possível quando realmente importa”, afirma.
O trabalho é conduzido por uma comissão técnica formada para atender diferentes frentes da preparação. Nemo conduz a preparação da equipe ao lado do auxiliar técnico Gidelson Silva, que foi campeão dos Jogos Mundiais Militares lutando a final com o braço quebrado, além de ser um dos principais nomes da história recente do boxe militar brasileiro, e pelo auxiliar de preparação física suboficial Vanderval Fernandes.
A comissão conta ainda com um fisioterapeuta especializado em esportes de combate, responsável pelo acompanhamento preventivo e pela recuperação dos atletas, além do comandante Marcelo Ferreira, chefe da equipe e responsável pela gestão operacional e administrativa da equipe.
Segundo o professor Nemo, a experiência acumulada pelos profissionais é um dos diferenciais da equipe.
“Temos uma comissão técnica com vivência internacional e conhecimento específico dos Jogos Mundiais Militares. Cada profissional exerce uma função importante para que o atleta possa se dedicar exclusivamente ao treinamento.”
O reforço da fisioterapia também faz parte da estratégia. O acompanhamento acontece antes, durante e depois dos treinos para reduzir o risco de lesões e acelerar a recuperação dos atletas.
“A fisioterapia tem um papel central na prevenção de lesões no boxe. Conseguimos identificar riscos precocemente, acompanhar os atletas durante toda a rotina de treinamento e atuar tanto na prevenção quanto na reabilitação quando necessário”, explica Paulo Dutra, fisioterapeuta da equipe.
Além do grupo que permanece em treinamento integral no CEFAN, a Marinha acompanha outro núcleo formado por atletas convocados para a seleção brasileira, que seguem o calendário internacional da Confederação Brasileira de Boxe e retornam periodicamente para períodos de treinamento e avaliações. A definição da equipe principal para os Jogos deve ocorrer até o fim deste ano.
Entre os nomes que despontam como candidatos a medalha estão Yuri Falcão, Wanderlei Oliveira, Luiz Gabriel, Isaías Ribeiro e Edson Kalango, bicampeão mundial de clubes.
Para o comandante Marcelo Ferreira, a profundidade do elenco é outro ponto forte do projeto.
“Temos atletas que disputam o circuito internacional pela seleção brasileira e outros que seguem a metodologia da Marinha em treinamento integral. A diferença entre eles muitas vezes está apenas na quantidade de competições disputadas. Confiamos no nosso processo, desenvolvido ao longo de mais de 16 anos, e sabemos que qualquer um deles tem condições de representar o Brasil em alto nível.”
Os resultados dão respaldo ao planejamento. Nas últimas participações em Jogos Mundiais Militares e Campeonatos Mundiais Militares, a equipe conquistou 26 medalhas e quatro pódios por equipes, desempenho que colocou o Brasil entre as principais referências da modalidade no esporte militar.
Para o professor Nemo, esses números são consequência de um conceito que orienta toda a preparação.
“Seguimos um princípio ensinado pelo cientista desportivo Armando de la Rosa, que dizia que um grande treinador não é aquele que ganha medalhas em todas as competições, mas aquele que faz sua equipe conquistar resultados nas competições mais importantes.”







