Chicão Bueno relembra época do Vale-Tudo e luta contra Vovchanchyn no Pride

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Faixa-preta de André Pederneiras e faixa-coral de Jiu-Jitsu, Chicão construiu uma carreira no Vale-Tudo que passou pelo IVC, Meca, Cage Warriors e Pride - Foto: Divulgação

Francisco “Chicão” Bueno começou no Judô aos três anos e, ao longo de cinco décadas, passou por diferentes modalidades até chegar ao Vale-Tudo e competir em organizações como IVC, Meca, Cage Warriors e Pride. Faixa-preta formado por André Pederneiras e atualmente faixa-coral de Jiu-Jitsu, o ex-lutador construiu parte da carreira em uma época anterior à popularização do MMA.

Faixa-preta de André Pederneiras e faixa-coral de Jiu-Jitsu, Chicão construiu uma carreira no Vale-Tudo que passou pelo IVC, Meca, Cage Warriors e Pride – Foto: Divulgação

Ainda criança, Chicão teve uma breve experiência no Taekwondo, mas, por causa da idade, não pôde continuar treinando na academia do mestre Kim. Nos anos seguintes, praticou Karatê, Boxe e Muay Thai. Mais tarde, incorporou o Jiu-Jitsu e o Wrestling aos treinamentos. O contato com diferentes modalidades influenciou a maneira como passou a trabalhar as artes marciais.

“Cada modalidade acrescentou demais à minha formação como ser humano. O Judô é uma disciplina incrível, o Karatê, o Boxe, o Muay Thai, o Jiu-Jitsu, o Wrestling também. Acho que tudo fez parte da minha formação e criei também, junto com isso tudo, um sistema meu”, explicou.

Em 1997, Chicão foi para os Estados Unidos a convite de um empresário e se estabeleceu na Califórnia. Lá, participou de eventos de Vale-Tudo realizados principalmente em San Pedro. Segundo ele, parte dessas lutas não aparece nos registros atuais de sua carreira.

“Cheguei nos Estados Unidos em 97, a convite do empresário, e aí fiz várias lutas. Tinham muitas lutas naquela época que não são mencionadas hoje. São os eventos que tinham em San Pedro, na Califórnia. Eu lutei muitas, muitas vezes. Era Vale-Tudo, na verdade, não era nem o MMA, nem o No Holds Barred, era Vale-Tudo mesmo, real”, relembrou.

No ano seguinte, recebeu o convite para participar da primeira edição do ADCC. Chicão chegou à final, mas uma lesão o impediu de disputar o combate decisivo. Em 1999, estreou oficialmente no MMA profissional pelo IVC contra o americano Jason Godsey. A luta abriu caminho para participações em outros eventos daquele período.

“Eu buscava realmente ali uma carreira como atleta de alto rendimento. E, depois do IVC, tive oportunidade de lutar em grandes organizações da época como o Meca, o Cage Warriors, o WVC e o maior deles, o Pride. Aí começou um outro nível de competição.”

No Pride, Chicão enfrentou o ucraniano Igor Vovchanchyn na oitava edição do evento, em 1999. A derrota é apontada por ele como um dos episódios que mais influenciaram sua trajetória, ao lado da vitória sobre o japonês Satoshi Honma.

“O período mais marcante realmente foi a vitória contra o Satoshi Honma, que me botaram de escada, e também a derrota para o Igor Vovchanchyn, que, enfim, me congelou um pouco. Eu não estava emocionalmente pronto naquele momento. Mas a vida não é só feita de vitória. E as derrotas, às vezes, podem ser vitórias também. E vice-versa, dependendo de como você olha para a coisa.”

Paralelamente à carreira no Vale-Tudo, Chicão continuou sua formação no Jiu-Jitsu. Graduado faixa-preta por André Pederneiras, chegou posteriormente à faixa-coral, concedida após décadas de prática na modalidade.

“Para mim, a faixa nunca foi uma coisa muito importante. É o que você carrega dentro, o que realmente vale. Mas, enfim, para o mundo, uma faixa-coral representa o tempo, o que você realizou no esporte, o que você conquistou dentro dos tatames, dos ringues, dos octógonos. Então a faixa-coral passou a ser um marco da minha história.”

Aos cinco décadas de contato com as artes marciais, Chicão atribui à prática uma influência que não se limita ao período em que competiu profissionalmente. Para ele, a continuidade do aprendizado é o principal legado dessa trajetória.

“A arte marcial, realmente, é uma escola de vida. Acho que é uma oportunidade para você se reconectar com você mesmo. No final do dia, a coisa mais importante é a evolução. 1% a cada dia, ou 1% a cada ano, cada um no seu tempo. A arte marcial, realmente, é o autoconhecimento, é o maior tesouro que temos”, concluiu.