Num momento em que a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu acabara de ser criada e os grandes ícones do Jiu-Jitsu tinham poucas chances de se enfrentar, a fórmula dos Desafios e Super Lutas de uma hora de duração voltaram a cair nas graças do público.
Depois de um longo hiato entre os dois confrontos entre Marcelo Behring (Gracie) e Cassio Cardoso (Carlson), realizados em 86 e 87, a histórica luta de Renzo (Barra) e Wallid (Carlson) em 93, trouxe de volta a fórmula.
Foi na esteira deste sucesso que, Francisco Caneppa e Romero Jacaré, da recém fundada Alliance, convidaram Carlson Gracie para que realizassem juntos um tira-teima de 30 minutos entre quatros representantes das duas equipes no ginásio da AABB no dia 23 de novembro de 1994.
A comunidade do Jiu-Jitsu adorou a ideia e compareceu. Quase 2000 pessoas lotaram o ginásio, mesmo tendo que pagar RS 15,00. Com as duas torcidas divididas entre as duas arquibancadas o evento rolou em clima de festa do Jiu-Jitsu e apesar da tradicional rivalidade não houve nenhuma confusão. Ficou decidido pela organização que não haveria bandeiras com as lutas sendo definidas por pontos ou terminariam empatadas.
Do lado da Alliance Octavio Couto, Alexandre Paiva, Castello Branco e Roberto Traven, que enfrentariam em desafios de 30 minutos os alunos de Carlson Gracie, Francisco Toco Albuquerque, Sergio Bolão, Amaury Bitetti e Murilo Bustamante.

Texto Marcelo Alonso
Fotos – Josué Medeiros e Marcelo Alonso
Octavio “Ratinho” Couto x Francisco “Toco” Albuquerque
A luta preliminar entre os faixas marrons Ratinho e Toco acabou sendo a mais solta do desafio com os dois lutadores se revezando na liderança do combate. Por talvez um temor de tomar pontos de uma passagem de guarda quando ganhava o confronto, Toco se expôs e permitiu uma linda ida para às costas, seguida de um estrangulamento bem aplicado por Ratinho, que finalizou o combate transcorridos 8 minutos de uma luta prevista para 15. “Lutei com um grande adversário, o que valorizou minha vitória. Apesar de ter começado em desvantagem estava ciente de que poderia mudar o rumo da luta. Essa vitória foi superimportante para mim”, disse o aluno de Jacaré.

Sérgio “Bolão” Souza x Alexandre “Gigi” Paiva
O primeiro confronto entre faixas pretas foi um empate com gosto de vitória para o Gigi da Master, que atacou por cima o tempo todo, mas esbarrou na já conhecida guarda de seu adversário, que além de difícil de se passar, levava perigo constante de inversão de jogo. Apesar disto, Alexandre quase chegou do lado duas vezes, obrigando a Sérgio Souza ficar de quatro nessas ocasiões, onde mostrou que defende bem a ida para as costas, sempre repondo bem a guarda. Os últimos cinco minutos foram marcados pela certeza de que Bolão perdeu todo gás, mas Alexandre não se aproveitou disto e amargou a divisão da bolsa.
Amaury Bitetti x Castello Branco
No segundo duelo de pretas Bitetti manteve a liderança do início ao fim do combate, mostrando estar no ápice físico e técnico e confirmando seu já conhecido Judô, dando duas brilhantes quedas em um adversário mais pesado e com boa base e definindo o placar em 4 x 0.
No “chão” Amaury também foi mais ofensivo durantes os trinta minutos conquistando a vitória e sendo escolhido pela organização do evento como o melhor lutador da noite.

Murilo Bustamante x Roberto Traven
O combate mais aguardado da noite acabou decepcionando o público, se tornando o maior exemplo da importância da pontuação normal (com vantagens tambem em lutas longas). No único bom momento da luta o professor da Ac. Strike quase conseguiu uma ida para as costas. Mas Murilo conseguiu repor e a luta terminou empatada. “Não tive o rendimento esperado porque cheguei no ápice no Campeonato Brasileiro e acabei ‘virando o fio’. Ou seja, treinei demais e fiquei cansado. O Traven estava muito bem preparado técnica e fisicamente”, admitiu Murilo. Traven também falou de seu desempenho: “A luta foi dura, só que eu não corri o risco do Murilo, eu quase raspei e peguei as costas colocando os dois ganchos, mas Murilo saiu antes dos pontos. O Murilo era o favorito para os outros, e não para minha equipe. A derrota, para mim, foi horrível”.




























