Oito lutas, oito vitórias por finalização, vencedor da categoria até 99kg e do absoluto e ainda eleito o atleta mais técnico. Assim se resume a consagradora participação de Roger Gracie na 6o edição do ADCC World Submission Wrestling Championship, realizado nos dias 28 e 29 de Maio de 2005 no ginásio The Pyramid, em Long Beach na Califórnia.
Apesar de ser o protagonista do maior show de finalizações já visto nas cinco edições do evento, Roger não brilhou só. Marcelinho Garcia (campeão até 77kg e 3º no absoluto), Ronaldo Jacaré (campeão até 88kg e vice no absoluto), Leonardo Vieira (campeão até 66kg), Xandi Ribeiro, Fabrício Werdun, Gabriel Napão, Kyra Gracie e Juliana Borges também colaboraram, e muito, para que esta edição batesse dois records: maior número de brasileiros nos pódios e maior índice de finalizações da história da Copa do Mundo dos Grapplers.

Texto e fotos Marcelo Alonso
Dez meses se passaram desde o último confronto entre Ronaldo Jacaré e Roger Gracie na disputa da categoria que definiria o maior lutador de Jiu-Jitsu do mundo. E lá estavam os dois novamente frente a frente observados atentamente por quatro mil espectadores que lotavam o ginásio em forma de pirâmide construído no campus da Universidade de Long Beach na Califórnia. Desta vez a disputa valia o título de maior grappler do mundo.
Roger começa tentando uma guilhotina, Jacaré defende e o Gracie cai fazendo guarda recebendo um ponto negativo. Jacaré tenta derruba-lo duas vezes, Roger cai e levanta na primeira oportunidade e na segunda surpreende o amazonenese com uma Kimura. Jacaré defende e na seqüência os dois se embolam e caem na beira do ringue. O Gracie escapa para as costas, coloca um gancho e posteriormente fecha o triangulo na cintura de Jacaré que se levanta e, com o oponente nas costas, tenta se dirigir para o meio da área de luta, mas não consegue. Roger abraça seu pescoço e aperta o mata-leão obrigando-o a bater. O público levanta e aplaude de pé a consagração do maior Grappler da atualidade, que erguido pelos tios Rickson, Renzo e diversos membros da família comemora a consagração Gracie. “Mostrei hoje quem foi o verdadeiro campeão absoluto de Jiu-Jitsu. Me roubaram aquele título mas eu tomei de volta”, bradou o Gracie se referindo ao último confronto dos dois (julho 2004), quando quebrou o braço de Jacaré, mas o oponente não bateu e acabou vencendo por pontos.
Para chegar a grande final com Jacaré o Gracie tinha simplesmente finalizado todos os oponentes tanto no peso como no absoluto. A bem da verdade o único que não bateu para Roger fazendo uma luta bem parelha até os primeiros 20 minutos foi Alexandre Cacareco que o enfrentou na final da categoria até 98kg. No início Cacareco surpreendeu chegando perto de passar a guarda do Gracie em duas oportunidades, mas o representante da BTT não resistiu ao maior volume de jogo de Roger e no intervalo para o segundo overtime decidiu desistir. “Senti a falta do Zé Mário no meu córner os caras botam muita pressão, parecia que eu estava sozinho lutando contra toda a família Gracie”, disse após a luta Cacareco.

Para chegar na final do peso Roger venceu Justin Garcia (mata-leão), Eduardo Telles (armlock) e Alexandre Ribeiro (triangulo). Na disputa de terceiro lugar Ribeiro vingou Roger por tabela vencendo o campeão de 2003, John Olav Einemo por 6×2. Em 2003 Olav havia eliminado Roger Gracie e Cacareco e desta vez foi derrotado por Cacareco (2×0) e Xande Ribeiro (6×2).
Após descansar menos de uma hora, Roger voltou aos tatames para finalizar com um leglock em poucos minutos o aluno de Yuki Nakai, fazendo na seqüência um dos combates mais técnicos do evento contra Fabrício Werdum, que entrou representando a Espanha. Depois de terminar a luta defendendo um armlock, Werdum devolveu o sufoco terminando o primeiro overtime com um leglock encaixado. No segundo tempo extra, Roger chegou às costas de Werdum e pegou o representante espanhol em um mata-leão. No lance final Werdum machucou a costela e saiu da luta preocupado com sua luta no Pride marcado para 28 de agosto, contra o melhor sparring de Emelianenko Fedor. “Mirko vai ficar maluco comigo. Ele me disse para não vir lutar porque o Pride era mais importante. Mas tenho certeza que em duas ou três semanas estarei pronto para lutar” dizia otimista Werdum.
Antes de enfrentar Jacaré na final Roger enfrentaria pela segunda vez Xandi Ribeiro que assim como Werdum começou melhor mas acabou finalizado. “Até agora não consegui entender como ele conseguiu sair da leglock e do triangulo que encaixei no inicio da luta”, disse Ribeiro ainda impressionado com o mata-leão aplicado pelo oponente.
DAVI GARCIA X GOLIAS RODRIGUES
Depois de finalizar 3 dos quatro oponentes e faturar pela segunda vez a categoria, Marcelo Garcia, pesando só 77kg, levantou a platéia fazendo a melhor do evento contra o ex-campeão peso pesado do Ultimate, Ricco Rodrigues, que pesa 128kg. Mostrando uma excelente técnica para chegar às costas do adversário, o campeão do ADCC 2003 surpreendeu Ricco duas vezes, chegando as suas costas e enlouquecendo o ginásio. “Fiquei impressionado porque os americanos todos torceram por mim, foi demais”, comentou mais tarde atleta de Fábio Gurgel.
Na segunda vez em que Garcia chegou às costas do gigante americano, Ricco se jogou no chão e quase machucou o faixa preta. A platéia enlouqueceu e disparou uma sonora vaia. Quando a luta recomeçou, Marcelo botou Rico na guarda e atacou num justo leg-lock e depois uma chave de calcanhar. O grandalhão ainda tentou resistir, mas acabou batendo. O ginásio inteiro se levantou aplaudindo Marcelinho na mais impressionante manifestação da história do ADCC. Marcelinho voltou a levantar a galera na fase seguinte finalizando com um armlock o americano Diego Sanchez, mas emudeceu o estádio na semifinal quando bateu para Jacaré numa kimura de dentro da guarda.Na disputa de terceiro lugar mais um show em cima de Xande Ribeiro que bateu com um mata-leão.

Se entre os pesadões Marcelinho deu show no peso venceu com sobras. Depois de finalizar Chris Brennan (armlock) e Marcos Avellan (Mata-Leão), vencendo Léo Santos por pontos na semifinal, Garcia surpreendeu ao finalizar na final, com uma mão de vaca, o brasileiro naturalizado americano, Pablo Popovich, que eliminara ninguém menos que Renzo Gracie (2×0), o vencedor da seletiva nacional Joan Carneiro (2×0) e na semifinal o duro Jake Shields por 5×0. “Agora vou aproveitar pra tirar 15 dias de férias e dar uns seminários aqui pelos Estados Unidos” disse radiante o faixa preta que faturou merecidos US$ 15 mil (10 no peso e 5 no absoluto) pelo show dado neste ADCC 2005.
Até 66kg: LEOZINHO VENCE REVANCHE COM RANY
Lutar numa categoria com nomes como Marcio Feitosa, Rany Yahira, Barret Yoshida e Wagney Fabiano já não é tarefa fácil estando 100% imaginem com uma uma séria lesão no pé esquerdo. “Há um mês quebrei o meu pé em três pontos diferentes e lesionei o ligamento treinando com Demian. Todos os médicos diziam que eu precisaria de pelo menos três meses para voltar a treinar, mas eu decidi vir para cá de qualquer maneira. Tirei o gesso cinco dias antes da competição e voltei a treinar mesmo sentindo muita dor”, relata Leonardo Vieira, último campeão da categoria, que foi obrigado a fazer uma espécie de readaptação de emergência no seu jogo para evitar expor o pé lesionado. “Estou com a cabeça boa e isso é o que mais importa”, declarou Léo minutos antes de provar a teoria na área de lutas 2, onde estreou tratorizando Tetsu Suzuki (vencedor da seletiva japonesa) com belas quedas (antes de valer pontos) e duas pegadas pelas costas.
A segunda vítima do gênio do Jiu-Jitsu foi o Wrestler americano Joe Gilbert, que eliminara Frédson Alves (Gracie) por 4×2. Já no primeiro minuto de luta, Viera ligou o motorzinho e derrubou wrestler, caindo montado com uma guilhotina encaixada. Depois de finalizar Gilbert, Léo eliminou, com uma guilhotina invertida do 69 a grande surpresa da chave, o canadense Rob Di Censo (faixa roxa de Wagney Fabiano) que finalizara logo na primeira luta o duro Albert Crane e posteriormente Gilbert Melendez, algoz do vice campeão de 2003, Barret Yoshida.
Do outro lado da chave, Rany Yahrya, que perdeu a final da seletiva brasileira para Wagney Fabiano (2×1), devolveu o placar depois de dois overtimes. Fazendo na semifinal outra maratona contra Márcio Feitosa decidida no segundo tempo extra. “Eu estava atacando por cima o tempo todo quando ele encaixou uma guilhotina e, para escapar, tive que ceder os dois pontos”, relembrou Márcio Feitosa, que derrotou Rob Di Censo por pontos na luta pelo terceiro lugar.
A grande final foi um duelo de titãs disputados em 50 minutos. Com o apoio de Rickson em seu córner. Rany virou um leão e endureceu escapando de várias tentativas de queda, passagens e pegadas pelas costas contra atacando com perigo. No terceiro tempo extra, a platéia começou a gritar o nome de Leozinho que voltou decido a definir a fatura. Com um movimento muito técnico, Vieira dominou os dois braços de Rany e finalmente passou sua guarda, fazendo 3×0 e, na seqüência passou de novo, aplicando 6×0 e vencendo o título mais difícil de sua vida. Aplaudido pela platéia de pé Vieira chorou. “A maior parte dos meus amigos me pediu para não lutar, mas eu acredito muito em Deus e senti que ele queria me ensinar alguma coisa. Por isso resolvi vir lutar” disse com os olhos marejados o campeão que até o fim do ano deverá terminar a faculdade de fisioterapia. “Na realidade era para eu estar agora no meu estágio num asilo com 60 velhinhas que aliás me deram muita força para vir lutar e rezaram muito por mim. Agradeço muito a minha equipe, minha esposa e a elas também”, arrematou o campeão.

Até 88kg: JACARÉ FINALIZA CONSULADO E MAIS CINCO
Eram cinco da manhã sol ainda nem havia nascido na madrugada de quarta para quinta, dois dias antes do início do evento, a maioria dos atletas já se encontrava concentrada no Hotel Marriot em Long Beach quando Ronaldo Jacaré em pé com uma pastinha de documentos na mão esperava numa fila a abertura do consulado dos Estados Unidos. “Não havia conseguido marcar entrevista a tempo, mas não conseguia me imaginar fora deste evento por isso resolvi tentar esta última cartada”, lembra Jaca, que graças ao apoio de um amigo do patrocinador, Vitor da Koral quimonos, que trabalha no consulado conseguiu fazer a cobiçada entrevista e pegar o visto embarcando horas depois pra Califórnia. “Quando eu sai do consulado foi uma choradeira danada”, lembra o guerreiro que chegou ao The Pyramid as 10 em ponto hora da abertura da competição. Enquanto atletas e imprensa do mundo mal conseguiam acreditar na saga de Jaca, o brazuca tentava tirar uma soneca minutos antes de sua primeira luta.
Quem pagou caro pelo perrengue de Ronaldo foram seus adversários. Apesar de ter sido muito bem tratado no consulado americano, Jacaré precisou de muito mais tempo para responder as perguntas da entrevista do que pra vencer seus três primeiros oponentes que não chegaram a durar quatro minutos. Depois de derrubar, passar a guarda e finalizar David Belkheiden com uma Kimura na primeira luta o amazonense puxou Robert Sulski para a guarda e definiu com um triângulo e posteriormente derrubou, passou e pegou com um armlock o campeão de Vale-Tudo Denis Hallman na semifinal.
Enquanto isso do outro lado da chave os brasileiros Saulo Ribeiro (atual campeão do peso), Jorge Macaco e Demian Maia (campeão da seletiva nacional) cortavam um dobrado para ver quem ia chegar na final com Jaca. Depois de vencerem seus primeiros oponentes com tranqüilidade, Saulo e Macaco fizeram uma luta duríssima com direito a 4 overtimes para definir o oponente de Demian na semifinal. O guerreiro Macaco, que contundiu a mão no Jungle Fight uma semana antes e precisou tomar infiltração para competir lutou muito bem mas esbarrou na maior experiência do bicampeão e recordista em overtimes no ADCC, Saulo que conseguiu uma queda depois de quase 50 minutos de luta.
Na semifinal porém Saulo não resistiu ao campeão da seletiva nacional que o venceu por uma vantagem e seguiu com moral pra final com o mesmo Jacaré que havia perdido para Saulo na final de 2003.
Com a explosão de sempre Jacaré começou defendendo uma tentativa de queda de Demian com uma ajustada Kimura. Demian escapou e a luta e mostrando-se muito bem preparado para neutralizar o jogo de Jacaré defendeu dezenas de quedas do amazonense contra-atacando com perigo, mas no overtime acabou penalizado por fugir da guarda do amazonense.

Após a vitória Jacaré arrancou gargalhadas da platéia ao comemorar com sua marca registrada andando no Tatame como um Jacaré.
Depois de dar show no peso Jacaré voltou com tudo e mais um pouco no absoluto vencendo por 6×0 o duríssimo americano David Avellan, finalizando Alexandre Cacareco com um leglock e calando o ginásio na sequência ao finalizar com uma Kimura Marcelo Garcia, que após a vitória sobre Rico Rodrigues havia se transformado no grande nome do evento (até então) e maior xodó da torcida americana. “Já tinha esta estratégia pronta caso lutasse com o Garcia. Puxar pra fechada e atacar sem parar os braços dele que são bem curtos. Deu certo”, comemorou Jacaré sempre contando com o patrocinador Vítor (Koral), faixa marrom de Jiu-Jitsu, em seu córner. Até a grande final do absoluto só Jacaré e Roger permaneciam invictos. Assim como nas últimas duas vezes que se enfrentaram ficava para a última luta do evento a decisão de quem seria o dono da festa. “Ele mereceu o título cometi um erro de deixar ele chegar em sua posição boa e acabei pagando caro por isso”, reconheceu Jacaré já pensando na revanche que deve incendiar o próximo mundial. “Mal posso esperar pra enfrenta-lo de novo na final do absoluto. Se chegarmos lá vai ser outro lutão”, garantiu Jaca.
+ 99kg: AMERICANOS VENCEM ENTRE OS GIGANTES
Para não dizer que os brasileiros levaram todos os títulos para casa os americanos contaram com dois consolos, Jeff Monson que faturou a categoria acima de 99kg e Dean Lister que venceu Jean Jaques Machado na Superfight.
Para vencer na categoria onde o Brasil tinha candidatos fortíssimos como o campeão do ano passado Marcio Pé de Pano, além de Gabriel Napão, Marcio Corleta, Daniel Gracie e Fabrício Werdun (que entrou representando a Espanha), Monsen se mostrou muito bem preparado. Depois de eliminar Karim Byron por pontos e seu companheiro de equipe, o judoca olímpico, Rhadi Ferguson, no segundo overtime, o Homem de Neve contou com uma forcinha de Fabrício Werdun para vence-lo na semifinal. “Faltava um minuto para terminar e eu vi que estava 1×0 para ele e parti pro ataque. Na verdade era um negativo pra ele”, lembra Werdun que faltando 30 segundos viu o wrestler tira-lo das costas caindo por cima e conseguindo os dois pontos que precisava para enfrentar Gabriel Napão na final. Napão chegava com moral na final após vencer, no seu lado da chave, o árabe Mustapha al-Turk, o americano Rico Rodrigues por pontos e finalizar o favorito Pé de Pano com uma chave de panturrilha que lesionou os ligamentos do ex-campeão e o tirou da competição.
A final não poderia ser mais monótona, Napão puxou pra guarda perdeu um ponto por isso e Jeff administrou a luta até o final conquistando a primeira vitória americana no evento. “Sem Ricardo Libório, Moacyr Boca, Marcos Aurélio e toda a galera da ATT esta vitória não seria possível” nos revelou o faixa roxa de Jiu-Jitsu.

WERDUM GARANTE 3º LUGAR PARA ESPANHA
Devido a lesão de Pé de Pano, Daniel Gracie que havia sido derrotado por ele por 2×0 na luta anterior foi chamado para disputar o terceiro lugar com Fabrício Werdum, mesmo estando há quase um ano morando na Croácia onde vem ajudando nos treinamentos de chão de Mirko Cro Cop. Fabrício mostrou que não esqueceu o seu chão no Brasil dando um verdadeiro show no representante da família Gracie e vencendo por 5×0.
Superfight: JEAN JAQUES PERDE PARA LISTER
Considerado um dos favoritos para vencer a categoria até 77kg, o veterano Jean Jaques Machado, foi surpreendido a poucas semanas do evento com um convite para substituir Ricardo Arona na Superfight contra o americano Dean Lister. Por ser um dos finalistas do Pride GP midleweight, Arona resolveu se retirar da Super Luta a pedido dos dirigentes japoneses levando os promotores do ADCC a convidar o maior finalizador da história do evento para substitui-lo “Quando soube do convite fui direto para uma churrascaria brasileira que tem aqui perto, não aguentava mais passar fome para bater 77” no confidenciou o veterano que na reunião de regras não parecia nada temeroso com o golpe mais perigos de Lister, a chave de pé que já fez vítimas do nível de Saulo Ribeiro e Alexandre Cacareco. “Na verdade gostaria muito que ele tentasse, pois quem dá chave de pé se expõe ao contra ataque e eu não gosto de amarração, luto pra matar ou morrer”, disse Jean deixando claro que já tinha uma estratégia clara para o jogo de Lister. O que o Machado não contava é que do outro lado, treinando o americano por quase um mês, estava o bicampeão mundial absoluto de Jiu-Jitsu Rodrigo Comprido. “O instrui para ele manter as costas do Jean todo o tempo no chão e só atacar uma chave de pé caso tivesse certeza absoluta que pegaria”, nos revelou Comprido após vencer o pesadíssimo Wade Rome na luta alternativa da categoria acima de 99kg. Dean seguiu a risca as orientações o técnico. Jean Jaques começou puxando pra guarda e ganhando um ponto negativo sendo obrigado a se expor e abrir espaços para Lister pontuar com uma passagem uma montada e uma pegada pelas costas. “apesar de representar os Estados Unidos queria dizer aos brasileiros que represento o Jiu-Jitsu de vocês” disse ao microfone em português claro o americano que recebeu na saída do ringue um beijo da namorada brasileira a gaúcha, Flávia, que conheceu Lister no último mundial de Jiu-Jitsu e desde então mora com ele nos Estados Unidos. Apesar da derrota Jean foi ovacionado pelo público e ao microfone agradeceu ao Sheik Tahnoon e seu braço direito. Guy Nievens pela realização do evento terminando o discurso garantindo que estará de volta a sua categoria daqui a 2 anos.

JULIANA E KYRA ROUBAM A FESTA NO FEMININO
Depois de conquistarem um lugar ao sol no Jiu-Jitsu e no Vale-Tudo as mulheres chegaram com força nesta primeira edição em que puderam disputar a Copa do mundo dos grapplers. Entre as leves (até 60kg) Kyra Gracie deu show, vencendo suas três oponentes com clara superioridade técnica. “Meu jogo de quimono é muito baseado nas pegadas por isso muita gente achou que eu não fosse me adaptar no submission”, nos revelou a faixa marrom que passou os seis meses antes da luta treinando com o Tio Renzo em Nova York. A adaptação não poderia ser melhor, em todas as três lutas que fez Kyra não se viu ameaçada em nenhum momento. Sempre em busca da finalização a Gracie venceu a duríssima Erica Montoya por 4×2, finalizou a japonesa Megumi Fuji com um triangulo, fechando sua participação com chave de ouro ao vencer na final, por 5×0, a experiente faixa preta, Leka Vieira.
A final brazuca foi tão movimentada que roubou a atenção do público da final da categoria até 88kg entre Jacaré e Demian Maia, que era disputada no ringue ao lado. Depois de aplicar uma queda, obrigar Leka a ficar de pé para sair de um armlock, conectando na seqüência com um omoplata e terminando nas costas, Kyra mereceu aplausos entusiasmados do público. Muito assediada pela imprensa japonesa após a vitória, a representante da família Gracie descartou a possibilidade de lutar Vale-Tudo. “Por enquanto não penso nisto. Agora vou voltar a treinar de quimono para o Mundial”, revelou a Gracie que faturou US$ 2 mil pela vitória.

Na categoria acima de 60kg e também no absoluto quem ditou as regras foi a campeão brasileira de Wrestling, Faixa preta de Jiu-Jitsu, aluna de Fernando Boi (Nova União), Juliana Borges que venceu com tranqüilidade todas as seis lutas. Infelizmente no peso Juliana caiu de cara com outra forte representante brasileira, a campeão mundial Hanette Quadros que depois de levar duas quedas acabou eliminada logo na primeira fase. Na seqüência a brasileira garantiu o título com duas goleadas de 10×0. Primeiro na japonesa Megumi Yabushita e na final sobre a belíssima aluna dos irmãos Machado, Stacy Cartwright.
Na categoria absoluto, que nada mais foi que uma reedição dos pesados, Juliana mais uma vez tratorizou todo mundo. A primeira vítima Foi Kizzma Button (6×0), depois Amanda Buckner 5×0 e na final a consagrada lutadora de Vale-Tudo Tara La Rosa por 3×0. “Foi uma experiência maravilhosa. Estou muito feliz de poder levar duas vitórias para o Brasil e ainda receber uma excelente premiação para isso”, nos disse após o evento a goiana que recebeu US$ 7 mil dólares de prêmio pelas duas vitórias (2 no peso e 5 no absoluto).
CAMPEÕES ADCC 2005
Até 66kg – 1o Leonardo Vieira; 2o Rany Yahya, 3º Marcio Feitosa
Até 77kg – 1º Marcelo Garcia, 2º Pablo Popovich; 3º Jake Shields
Até 88kg – 1º Ronaldo Jacaré; 2º Demian Maia; 3º Saulo Ribeiro
Até 98kg – 1º Roger Gracie; 2º Alexandre Cacareco; 3º Xande Ribeiro
Acima de 98kg – 1º Jeff Monson; 2º Gabriel Napão; 3º Fabrício Werdum
Absoluto – 1º Roger Gracie; 2º Ronaldo Jacaré; 3º Marcelo Garcia
Feminino (Até 60 kg) – 1º Kyra Gracie; 2º Leka Vieira; 3º Megumi Fuji
Feminino (Acima de 60kg) – 1º Juliana Borges; 2º Stacy Catwright; 3o Kisma Button Feminino (absoluto) – 1º Juliana Borges; 2º Tara La Rosa; 3º Amanda Buckner
Super Luta – 1º Dean Lister (USA); 2º – Jean Jaques Machado (Brasil)



















































