Dentro do CEFAN, projeto da Marinha prepara os próximos campeões do boxe brasileiro

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Projeto da Marinha do Brasil desenvolve trabalho na categoria de base para formar talentos do boxe para o alto rendimento - Foto: Divulgação/CEFAN

Os títulos conquistados pela equipe principal do Projeto Lutando com Energia/Marinha/Emgepron colocaram a Marinha do Brasil entre as principais forças do boxe nacional. Paralelamente aos resultados obtidos nos ringues, um trabalho de longo prazo vem sendo desenvolvido dentro do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio de Janeiro, com foco na formação de jovens atletas que poderão representar o país nos próximos anos.

Projeto da Marinha do Brasil desenvolve trabalho na categoria de base para formar talentos do boxe para o alto rendimento – Foto: Divulgação/CEFAN

A iniciativa é fruto da parceria entre a Marinha do Brasil, a Associação Desportiva Almirante Adalberto Nunes (ADAAN) e a Emgepron (Empresa Gerencial de Projetos Navais), responsável pelo patrocínio do projeto por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

O trabalho nas categorias de base não é novidade para a equipe. Segundo o professor Nemo Judice, o boxe da Marinha já desenvolveu um programa semelhante no passado, responsável por conquistas importantes em competições nacionais e internacionais.

“Aqui no boxe da Marinha temos uma grande experiência em categorias de base. Já tivemos um projeto com esse foco que conquistou títulos por equipe no Campeonato Paulista Juvenil e no Campeonato Brasileiro Juvenil, além de medalhas em competições sul-americanas e pan-americanas. Há cerca de três anos retomamos esse desenvolvimento de forma mais pontual e agora, com o apoio da Emgepron, vamos ampliar esse trabalho”, explica.

A seleção dos atletas começa dentro do Programa Forças no Esporte (Profesp) e em atividades realizadas no próprio CEFAN. O programa atende jovens com uma série de ações voltadas ao desenvolvimento social e educacional, incluindo alimentação, reforço escolar, atividades esportivas e cursos profissionalizantes. É nesse ambiente que a equipe de boxe realiza avaliações técnicas e observacionais para identificar jovens com potencial para a modalidade.

“Observamos aspectos como coordenação motora, velocidade, capacidade de reação e habilidades específicas que podem indicar potencial para o boxe. A partir daí iniciamos um processo de desenvolvimento gradual”, afirma Nemo.

O treinamento é realizado dentro da mesma estrutura utilizada pelos atletas da equipe principal. Os jovens têm acesso ao centro de boxe do CEFAN, salas de musculação, pista de atletismo, piscina olímpica, atendimento médico, fisioterapia, alimentação e acompanhamento multidisciplinar, além, claro, da comissão técnica de nível internacional.

Além da estrutura, o projeto também desenvolve uma metodologia própria de formação. Parte desse trabalho é resultado da experiência acumulada pela comissão técnica ao longo de décadas dedicadas ao boxe. Nemo Judice, um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos atletas, realizou estágio de aperfeiçoamento na Seleção Juvenil Cubana e possui pós-graduação em Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Esportivo pelo Instituto Olímpico Brasileiro, do COB. Entre as referências do professor Nemo está o treinador Pedro “Piter” Roque Otaño, reconhecido internacionalmente pela formação de campeões olímpicos.

De acordo com o professor, a proposta é desenvolver atletas de forma gradual, respeitando cada fase da formação esportiva e competitiva.

“O atleta precisa se desenvolver física, técnica, mental e emocionalmente. Trabalhamos esses aspectos de forma integrada. A formação não acontece apenas dentro do ringue”, explica.

A preocupação com a construção do caráter dos atletas é uma das marcas do trabalho desenvolvido no projeto. Nemo afirma que costuma utilizar exemplos reais para mostrar aos jovens a importância das escolhas feitas ao longo da carreira.

“O esporte abre portas, mas é preciso estar preparado para aproveitá-las. Sempre digo aos atletas que eles precisam buscar evolução dentro e fora do boxe. A carreira esportiva passa rápido, por isso o estudo e a formação pessoal também são fundamentais”, afirma. Atualmente, o treinador cursa sua quarta pós-graduação, desta vez voltada ao treinamento mental e à neurociência aplicada ao esporte.

Os resultados da metodologia já começam a aparecer. Entre os destaques está Daniel Barnabé, que chegou ao projeto em setembro de 2023 e, em menos de três anos, conquistou três títulos estaduais, uma medalha de ouro e uma de prata em campeonatos brasileiros, além da medalha de prata nos Jogos Sul-Americanos da Juventude.

“Daniel é muito dedicado aos treinos e aos estudos. Tem muita habilidade e um futuro promissor. A trajetória dele mostra que estamos preparados para receber e desenvolver grandes talentos”, avalia Nemo.

Outro exemplo é Francisco Adolpho, apontado pela comissão técnica como uma das promessas da nova geração. Já entre os atletas que percorreram todo o caminho dentro do sistema de desenvolvimento do projeto, Fabrício se tornou um caso emblemático.

Segundo Nemo, o atleta avançou gradualmente em cada etapa da formação. Foi campeão estadual, vice-campeão brasileiro, representou o Brasil em competições internacionais, disputou um Mundial e conquistou a medalha de prata no Mundial de Clubes. O desempenho o levou à equipe militar da Marinha.

“Foi uma evolução construída passo a passo, com muita dedicação e força de vontade. Hoje ele é um exemplo para os atletas mais jovens que chegam ao projeto”, destaca.

Para a comissão técnica, o impacto da iniciativa transcende resultados esportivos. Em uma modalidade historicamente ligada às camadas populares da sociedade, o apoio oferecido pelo projeto cria oportunidades que muitas vezes não estariam ao alcance desses jovens.

“O Projeto Lutando com Energia/Emgepron pode mudar a vida de atletas talentosos. Muitos enxergam no esporte uma oportunidade real de crescimento pessoal e profissional. Isso motiva os atletas, as famílias e todos os envolvidos”, afirma Nemo.

Nesse contexto, o treinador considera o apoio da Emgepron um dos pilares para a continuidade do trabalho.

“O patrocínio da Emgepron é essencial porque sustenta toda a estrutura necessária para desenvolver os atletas. A próxima etapa do projeto prevê inclusive bolsas voltadas para as categorias de base. Será uma das iniciativas mais importantes de incentivo aos jovens talentos do boxe brasileiro”, diz.