Glover Teixeira participou do Conexão PVT na semana passada e, entre os assuntos abordados, falou sobre sua biografia “Breaking the Rules”, que será lançada em novembro nos EUA. Escrita pelo jornalista Guilherme Cruz, a obra vai abordar toda a trajetória do ex-campeão do UFC.
45 DIAS ATÉ A FRONTEIRA
A saga de Glover começa em 1999, aos 19 anos, quando, sem perspectiva na pequena Sobrália, no interior de Minas Gerais, repetiu a trajetória de centenas de outros jovens de sua cidade que buscavam o sonho americano. Com a ajuda de coiotes mexicanos, fez uma travessia de cerca de 45 dias, passando pela Colômbia, Guatemala e México. Ficou oito dias em Tijuana esperando a neblina cobrir o deserto e cruzou a pé, de madrugada, até San Diego. Depois foi para Danbury, Connecticut, onde passou a trabalhar na construção civil e no paisagismo. Em 2001, Teixeira começou a treinar na academia de Chuck Liddell e logo passou a ser um de seus principais sparrings, estreando em fevereiro de 2002 (PFC, na Califórnia). No mesmo ano, Glover se apaixonou pela americana Ingrid Peterson e se casou.
Após a derrota na estreia, o brasileiro passou a treinar mais e venceu sete de oito lutas. Mas, quando já entrava no radar do UFC, com o empurrão do amigo Liddell, sua documentação ilegal foi descoberta e ele foi deportado em 2007. Proibido de voltar aos EUA e longe da esposa, Glover ficou no Brasil por quatro anos, lutando em eventos pequenos e aguardando o “waiver” (perdão do governo americano). Nesse intervalo, emendou dez vitórias seguidas no Brasil.
CARTA MUDA A HISTÓRIA
Angustiada com a separação forçada e sem perspectiva de ter o marido de volta, Ingrid resolveu escrever uma carta ao então deputado Chris Murphy, que se sensibilizou com o relato da cidadã americana. O casal já havia gasto cerca de US$ 8.500 com advogados, sem sucesso, ao longo de quatro anos. O relato emocionado de Ingrid — que contou ter chorado muito enquanto escrevia a carta — comoveu o político, que conseguiu agilizar o processo. No dia 23 de dezembro de 2011, aniversário da própria Ingrid, Glover recebeu o perdão e seu green card, estreando no octógono em maio de 2012.
Nove anos e 21 lutas depois, Teixeira conquistaria o cinturão dos meio-pesados do maior evento do mundo, aos 42 anos. Depois de se aposentar, aos 43, Glover passou a treinar Alex Poatan e teve participação direta na conquista do compatriota nos cinturões do UFC em duas divisões (médios e meio-pesados). E foi como head coach de Poatan que, três anos após sua aposentadoria, o imigrante brasileiro outrora deportado teve a chance de fechar o arco narrativo de sua história no Salão Oval da Casa Branca, tirando uma foto com Donald Trump.
“Quem diria que o imigrante deportado um dia conquistaria o cinturão do UFC e ainda tomaria um café com Donald Trump?”, disse Glover no Conexão PVT. Glover traz estas e muitas outras histórias curiosas de sua trajetória em “Breaking the Rules”, cuja versão em inglês será lançada no dia 8 de dezembro nos EUA e já está disponível para encomendas (pre-order) na Amazon e na Barnes & Noble. Segundo ele, a ideia é lançar a edição em português em 2027.
Quem sabe fazendo o lançamento na semana em que defenderá seu cinturão do Spaten Fight Night na 4ª edição do evento. “Estou aguardando o telefone tocar”, revelou Glover, que finalizou a entrevista deixando claro seu oponente preferencial caso os organizadores levem em conta as três possibilidades que vinham sendo aventadas pelos fãs (Junior Cigano, Vitor Belfort ou Gustafsson). “Qualquer uma destas lendas seria excelente, mas, se eu pudesse escolher, seria o Gustafsson. Primeiro porque já perdi para ele e seria uma revanche; segundo porque não dividiria a torcida brasileira.”
O campeão peso-pena do UFC, Alexander Volkanovski, está confiante de que poderá fazer o que nenhum adversário conseguiu até agora: derrotar Movsar Evloev. Mais do que defender o cinturão, o australiano acredita que tem condições de vencer o russo por interrupção antes do fim dos cinco rounds da luta principal do UFC 333, marcada para sábado (24), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Em entrevista ao MMA Junkie, Volkanovski questionou a capacidade do desafiante de impor seu jogo de quedas e controle durante os 25 minutos de combate. Invicto em 20 lutas profissionais, Evloev construiu sua trajetória no UFC com dez vitórias consecutivas, todas por decisão dos juízes.
“Não consigo imaginar ele me dominando no grappling durante 25 minutos”, afirmou Volkanovski, “Acredito que posso conseguir uma vitória por interrupção. Acredito que posso fazer isso antes dos cinco rounds”.
Aos 38 anos, Volkanovski chega ao confronto com um cartel de 28 vitórias e quatro derrotas. Depois de perder o cinturão para Ilia Topuria em 2024, o australiano recuperou o título vago ao derrotar Diego Lopes em 2025 e consolidou seu segundo reinado ao vencer o brasileiro novamente em 2026.
Evloev, de 32 anos, construiu sua ascensão na divisão dos penas com um estilo baseado em pressão, quedas, controle posicional e volume de ações ao longo dos rounds. Entre suas principais vitórias estão triunfos sobre Aljamain Sterling, Arnold Allen, Diego Lopes e Lerone Murphy. Apesar da invencibilidade, o russo ainda não conseguiu uma vitória por nocaute ou finalização dentro do UFC. Seus dez triunfos na organização aconteceram por decisão, característica que ajuda a explicar o desafio lançado por Volkanovski.
Além do cinturão peso-pena, o evento contará com outra disputa de título: Petr Yan enfrenta Merab Dvalishvili pela terceira vez, agora com o cinturão peso-galo em jogo.
UFC 333: confira o card completo
Data: Sábado, 24 de outubro de 2026 Local: Etihad Arena, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos Transmissão: Paramount+ Card preliminar: 11h (horário de Brasília) Card principal: 15h (horário de Brasília)
Card principal — 15h
Peso-pena (cinturão): Alexander Volkanovski x Movsar Evloev
Peso-galo (cinturão): Petr Yan x Merab Dvalishvili
Peso-mosca: Lone’er Kavanagh x Ramazan Temirov
Peso-pesado: Alexander Volkov x Rizvan Kuniev
Peso-pena: Aaron Pico x Losene Keita
Card preliminar — 11h
Peso meio-pesado: Azamat Murzakanov x Dominick Reyes
Peso meio-pesado: Nikita Krylov x Abdul Rakhman Yakhyaev
Peso-médio: Abus Magomedov x Cam Rowston
Peso-leve: Grant Dawson x Nurullo Aliev
Peso-galo: Colby Thicknesse x Asaf Chopurov
Peso-médio: Abubakar Vagaev x Jacob Malkoun
Peso-pena: Bolaji Oki x Daniel Santos 🇧🇷
Peso-leve: Kody Steele x Noah Gugnon
Peso-palha feminino: Iasmin Lucindo 🇧🇷 x Nicolle Caliari 🇧🇷
Wanderlei entregou o cinturão para o aluno de Macaco, que logo passou a ser seu parceiro de treinos na Chute Boxe
São Paulo entrou em definitivo para o mapa do MMA mundial em 2006. Depois de ver o Demolition se firmar como o principal evento de trocação do país e receber o aguardado Super Challenge, a capital paulista ganhou um evento capaz de rivalizar com os maiores espetáculos do planeta: o Fury FC, promovido por Victor Costa, dono da fábrica de kimonos Koral.
Realizado no Tom Brasil no dia 27 de setembro de 2006, o Fury nasceu com uma ambição declarada: replicar no Brasil o formato do Pride, a maior organização de MMA do mundo na época. “Nossa ideia era fazer um torneio de oito lutadores até 93kg em duas fases, exatamente como o Pride. Nesta primeira edição fizemos a fase inicial, mais cinco superlutas”, explicou o promotor, que realizou no dia 30 de novembro na mesma casa de shows as semifinais e a grande final do GP.
O cuidado com os detalhes impressionou até os lutadores de seis países que participaram das duas primeiras edições ficando hospedados em São Paulo num hotel 4 estrelas. “Acredito que quando você trata os lutadores como eles merecem, eles retribuem com grandes lutas”, disse Viktor Costa. A receita funcionou: 2.500 pagantes lotaram o Tom Brasil e saíram convencidos de ter assistido a algo inédito no país. O evento mereceu elogios rasgados até do campeão do Pride Wanderlei Silva. “Pride brasileiro. Essa foi a primeira impressão que tive ao entrar no evento. Fico feliz em ver promoções de alto nível no Brasil, parece que estamos entrando em um novo degrau nesse esporte”.
Com regras muito semelhantes às do Pride — três rounds de cinco minutos —, o Fury entregou exatamente o que prometeu: um palco de padrão internacional para a nova geração do MMA brasileiro. E, ao longo de suas duas edições, coroou um novo rei da categoria dos médios: Thiago Silva. Além de vários outros talentos, que venceram super lutas, e em breve estariam nos maiores eventos do mundo como Ronaldo Jacaré, Cristiano Marcello, Marco Loro, Givanildo Santana, Luis Banha e Mike Easton.
Wanderlei entregou o cinturão para o aluno de Macaco, que logo passou a ser seu parceiro de treinos na Chute Boxe
Texto e Fotos Marcelo Alonso
O TERCEIRO SILVA DA CHUTE BOXE
A saga do campeão começa longe dos holofotes. Vindo do interior paulista, de Ribeirão Preto, Thiago Silva desceu para a capital em busca de uma oportunidade como lutador de vale-tudo. Faixa marrom de jiu-jitsu sob Róbson Moura, da Nova União, procurou a Macaco Gold Team de Jorge Patino Macaco e, três semanas depois, já treinava MMA. Um ano e três meses depois, somava oito vitórias — sete por nocaute — e uma única derrota por finalização. Nunca havia treinado trocação na vida, mas ao chegar à Macaco Gold Team realizou o sonho de treinar também na Chute Boxe, onde lapidou as mãos ao lado dos campeões do Pride Wanderlei Silva e Maurício Shogun.
“Treinar com o Wanderlei e o Shogun melhora a autoestima. Quando olho para o meu oponente penso: esse cara é mais perigoso que o Shogun e o Wanderlei, que são os melhores? Isso faz toda a diferença”, disse Thiago na época. Aos 21 anos, ele se tornaria o novo número 1 da divisão até 93kg do Brasil — e o Fury seria o palco de sua consagração.
O GRAND PRIX, LUTA A LUTA
O torneio começou com os grapplers mostrando serviço. Danilo Motosserra (GBCT) não deu chances ao russo Denis Komkin (Russ Fighters): após cair para baixo, o brasileiro aplicou uma bela raspagem, passou a guarda e, quando Komkin tentou levantar, surpreendeu-o com uma guilhotina apertada, vencendo por finalização aos 1min59s do primeiro round.
Na sequência, entrou no ringue um dos favoritos ao título: Thiago Silva (Chute Boxe/Macaco). O experiente holandês Dave Dalgliesh mal teve tempo de mostrar seu jogo. Thiago precisou de apenas 1min05s para surpreender o europeu com uma chave de calcanhar — um aviso de que o jovem de Ribeirão Preto vinha para valer. “Eu gostaria de enfrentar o Dimitri Wanderley na próxima fase. Ele é um lutador forte, mas acho que consigo vencê-lo”, provocou o chuteboxer.
O campeão da Copa do Mundo de Jiu-Jitsu de 2003, Vitor Viana (Brasa), também teve atuação impressionante. Derrotou facilmente o parceiro de treinos de Fabricio Werdum, João Assis, por interrupção do árbitro aos 1min57s, após derrubar o adversário e alcançar a posição de montada. “Estou muito feliz com esse resultado. Agora vou passar dois meses na Holanda treinando muay thai para a fase final, em 30 de novembro”, garantiu Viana, que cumpriu a promessa à risca.
Fechando a fase inicial, o outro grande nome do torneio confirmou o favoritismo em estilo arrasador. Com apenas 21 anos e seis lutas de MMA no cartel, Dimitri Wanderley (Ataíde Jr) — que já havia nocauteado Claudio Godoi no Storm Samurai 8 e feito a melhor luta do Jungle Fight 6 contra Lyoto Machida — precisou de somente 38 segundos para nocautear o japonês Yusuke Masuda (AACC Japão) com joelhadas. Masuda ficou inconsciente e precisou de oxigênio para se recuperar.
Dimitri Wanderley abriu o gp nocauteando o japones Yusuke Masuda aos 38s, mas se contundiu e foi substituído por Claudio Godoy na semifinal
Três meses depois, o Tom Brasil recebeu a decisão do título. Na primeira semifinal, Thiago Silva viveu o clássico mais tradicional do MMA brasileiro: Chute Boxe contra BTT, diante de Cláudio Godoy, que substituiu Dimitri, que se contundiu. O lutador da BTT começou bem, trocando golpes e acertando Silva. Mas Thiago rapidamente encurralou Godoy e aplicou uma queda com um direto. Godoy se recuperou e levantou tonto. Apoiado por Rudimar e Macaco no corner, Thiago sentiu o bom momento e aplicou um novo knockdown. Em seguida, encurralou o adversário mais uma vez e finalizou com socos até a interrupção do árbitro. Nocaute no primeiro round — e a final estava assegurada.
Na outra semifinal, Danilo Motosserra impressionou a todos ao aceitar o jogo em pé e entregar um duro combate a Vitor Viana, recém-chegado de seus dois meses de muay thai na Holanda. Viana perdeu o primeiro round por pequena vantagem — Motosserra foi mais agressivo —, mas no segundo derrubou o rival e aplicou três pisões. Em seguida, passou a guarda, montou e pegou as costas, mas o gongo salvou Motosserra. No terceiro round, Viana voltou com o mesmo fôlego, derrubou novamente e castigou por cima. Os árbitros não tiveram dúvida: vitória de Viana por decisão.
A final colocou frente a frente o nocauteador da Chute Boxe e o grappler da Brasa. Thiago Silva precisou de menos de dois minutos para conquistar o cinturão. Após acertar Vitor Viana com um chute nas costelas — reclamado pelo adversário —, o atleta da Macaco/Chute Boxe definiu a luta com um novo chute, desta vez no braço de Viana, que gritou imediatamente “quebrou, quebrou”, obrigando o árbitro Carlão Barreto a interromper o combate, deixando o cinturão dos médios do Fury com Thiago Silva. Para completar a festa, o troféu foi entregue ao campeão pelas mãos do próprio Wanderlei Silva, campeão dos médios do Pride. “Foi uma vitória incontestável. Se continuar treinando duro, tenho certeza de que ainda trará muitas vitórias e títulos para o Brasil”, analisou o Cachorro Louco.
Thiago Silva venceu Vitor Viana por desistência na grande final
Depois de Wanderlei Silva (Pride) e Anderson Silva (UFC), o Fury FC coroava, enfim, outra Silva como o grande nome dos médios no Brasil. A promessa se confirmaria no ano seguinte, com Thiago chegando ao UFC 71 com nocaute relâmpago sobre James Irvin e se tornando um dos melhores pesos meio-pesados do mundo. Após quatro vitórias no UFC Thiago só seria parado por Lyoto Machida, na luta que definiu quem lutaria pelo cinturão com Rashad Evans no UFC 98
TALENTOS PARA O UFC
O Fury não foi palco apenas do torneio. Suas superlutas revelaram nomes que, mais tarde, brilhariam no maior palco do MMA mundial.
Ninguém representou melhor essa estirpe do que Ronaldo Jacaré. Após conquistar dois Mundiais de Jiu-Jitsu consecutivos na categoria absoluta, o atleta foi apresentado no ringue do Fury 1 como o melhor lutador de jiu-jitsu do mundo — e fez uma apresentação à altura do título. Diante do confiante lutador de sambo Alexei Prokofiev, que prometera nocauteá-lo. Jacaré simplesmente atropelou o russo. Derrubou, montou e impôs um ground and pound pesado, definindo a luta com um triângulo aos 2min30s do primeiro round. Quem viu aquela atuação não se surpreendeu com o futuro: Jacaré se tornaria campeão mundial do Strikeforce e logo chegaria ao UFC.
Outro que venceu sua super luta no Fury e chegou a lutou no Pride e depois UFC foi Cristiano Marcello. Professor de jiu-jitsu da Chute Boxe, voltou em forma aos ringues nacionais no Fury 2 e mostrou que também era força na trocação. Ciente da difícil tarefa de levar ao chão um wrestler, o faixa-preta trocou golpes com o americano David Kaplan (Lloyd Irvin) e foi amplamente superior em pé. No fim do segundo round, pegou as costas do rival após uma tentativa de queda e, mesmo com Kaplan escapando do mata-leão, encaixou um justo triângulo obrigando o oponente a batucar em desistência.
Cristiano Marcello (CB) finalizou David Kaplan (Lloyd Irvin Team) com triângulo
Luis Banha (Gibi Thai/Gracie SP) protagonizou uma das viradas mais empolgantes do Fury 2 na luta alternativa do GP. João Assis, pupilo de Fabrício Werdum, derrubou Banha e o castigou na guarda, mas o paulista levantou, derrubou Assis e puniu com socos na guarda até a interrupção de Vitor Shaolin no primeiro round um TKO. Em 2007 Banha seria levado ao UFC.
Hélio Dipp (Chute Boxe), que na época era o mais alto peso-médio do mundo com seus 1,96m, voltou ao ringue no Fury 1 depois de quase um ano afastado, desde o nocaute sofrido no Jungle Fight 5, quando quebrou a mandíbula. No clássico Chute Boxe x BTT, diante do faixa-preta Cláudio Godoy, Dipp deu uma aula de agressividade: joelhadas voadoras e chutes altos, que conquistaram a torcida paulista, enquanto Godoy buscava o clinche na maior parte do combate. Vitória por decisão unânime em uma luta que nunca foi ao chão e que devolveu Dipp ao topo da categoria.
Por fim, Marcos Loro (Nova União) protagonizou a melhor luta do Fury 1, em um duelo de gigantes contra o japonês Naoya Uematsu, veterano de 22 lutas. Consciente do perigo das chaves de pé do rival, Loro decidiu manter o combate em pé e usou seus braços mais longos para acertar duros socos e belas joelhados. Além de superior na trocação, venceu no chão com um eficiente ground and pound, derrubando Uematsu três vezes nos rounds finais. Vitória por decisão unânime em uma luta que arrancou aplausos da galera e que ficou marcada pela reverência de Uematsu ao público brasileiro, retribuída com uma calorosa salva de palmas. Loro, com seu jiu-jitsu agressiva e sua trocação afiada, também faria carreira nas maiores organizações do mundo.
No ano seguinte Viktor Costa realizaria mais três edições do Fury e um torneio até 83kg que catapultou Rousimar “Toquinho” Palhares direto para o UFC após uma impressionante sequencia de 3 finalizações, por chave de calcanhar, no 1º round. Infelizmente o Fury durou pouco (só teve 7 edições) mas deixou um legado importantíssimo para o MMA nacional, tendo lançado mais dezenas de talentos brasileiros para os maiores eventos do mundo na época.
Vitor Viana venceu João Assis por interrupção no 1º round em sua estreia no GP
Dimitri Wanderley abriu o gp nocauteando o japones Yusuke Masuda aos 38s, mas se contundiu e foi substituído por Claudio Godoy na semifinal
Marcos Loro (Nova União) venceu Naoya Uematsu (Japão) por decisão unânime
A rivalidade entre BTT e Chute Boxe na encarada de Hélio Dipp e Cláudio Godoy
Hélio Dipp (Chute Boxe) venceu Cláudio Godoy (BTT) por decisão dos árbitros
Dipp comemora com Rudimar e Rafael a vitória da Chute Boxe
Depois de uma derrota e duas vitórias no Jungle Fight Ronaldo Jacaré (Asle/Behring) fez sua quarta luta de MMA no Fury
O campeão mundial de Jiu-Jitsu finalizou o russo Alexei Prokofiev com triângulo aos 2min30s
Ao fim da luta Macaco subiu ao ringue para aceitar a revanche com Jacaré
O promotor Victor Costa e Léo Vieira com os finalistas do GP ao final do Fury: Wanderley, Thiago, Motosserra e Vitor
Thiago Silva com troféu e cheque após vencer o GP
Delson Pé-de-Chumbo (GBCT) venceu Daniel Acácio (Chute Boxe) por decisão unânime numa das melhores super lutas do evento
Thiago Silva venceu Vitor Viana por desistência na grande final
Thiago Silva venceu Vitor Viana por desistência na grande final
Thiago fraturou o braço de Vitor com um chute na grande final
Wanderlei entregou o cinturão para o aluno de Macaco, que logo passou a ser seu parceiro de treinos na Chute Boxe
Seis meses após conquistar o GP do Fury Thiago estreou no UFC 71 nocauteando James Irvin
Além de pinçar os melhores lutadores para o card Viktor Costa era criterioso na escolha das ringirls do Fury
O primeiro registro entre Werdum e Wand quando o gaúcho acabava de chegar ao Pride. Anos depois se tornariam grandes amigos
Reunião de regras do Fury 2
A produção de alto nível na casa de Shows Tom Brasil na 2º edição do evento
Após nocautear Hudson Rocha no Fury 2 Mike Easton conseguiu mais 5 vitórias e foi contratado pelo
Vitor Viana (Never Shake) venceu Danilo Motosserra (GBCT) por decisão na semifinal
Rodrigo Ruiz finalizou Carlos Ramon (Tozzi) com guilhotina no 1º round
Vitor Viana (Never Shake) venceu Danilo Motosserra (GBCT) por decisão na semifinal
Rodrigo Ruiz finalizou Carlos Ramon (Tozzi) com guilhotina no 1º round
Thiago Silva nocauteou Cláudio Godoy (substituto de Dimitri Wanderlei) na semifinal
Thiago Silva nocauteou Cláudio Godoy (substituto de Dimitri Wanderlei) na semifinal
Delson Pé-de-Chumbo (GBCT) venceu Daniel Acácio (Chute Boxe) por decisão unânime numa das melhores super lutas do evento
Luis Banha (Gracie SP) venceu João Assis (equipe Werdum) por TKO no 1º round
Werdum cumprimenta Ryan após a vitória de Banha sobre Assis
Victor Costa com Sabrina Sato
Fabrício Monteiro (GBCT) venceu Maurício Amado (Chute Boxe)) por TKO no 1º round
Cristiano Marcello (CB) finalizou David Kaplan (Lloyd Irvin Team) com triângulo
Cristiano Marcello (CB) finalizou David Kaplan (Lloyd Irvin Team) com triângulo
O professor de Jiu-Jitsu da Chute Boxe celebrando com os mestres Rudimar e Rafael
Givanildo Santana finalizou o italiano Michele Verginelli no 1º round
O Legacy Fighting Alliance (LFA) anunciou que retornará a Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo, no dia 13 de novembro, para sua 246ª edição. O evento, que terá duas disputas de cinturão mundial, será o sexto e último da organização no Brasil em 2026, ano em que o LFA alcançou a marca de 400 atletas contratados pelo UFC ao longo de sua história, ratificando sua posição de principal plataforma de revelação de talentos para o maior evento de MMA do mundo.
O LFA 246 terá como atrações principais duas disputas por títulos vagos. No peso-palha feminino, Natalia Alves enfrentará Raiane Vinuto, enquanto João Paulo Silva e Gabriel Vinicius disputarão o cinturão dos meio-médios.
A disputa feminina ocorre após a saída de Aieza Bertolso, que deixou o cinturão peso-palha vago ao conquistar um contrato com o UFC por meio do Dana White’s Contender Series (DWCS), programa utilizado pela organização para selecionar novos lutadores. A brasileira integra a lista de 39 atletas que passaram pelo LFA e foram contratados pelo UFC em 2026, número que já supera o recorde anterior de 36, registrado em 2023.
CEO do LFA, Ed Soares comemorou o retorno a Cajamar e a possibilidade de encerrar a temporada brasileira com duas disputas de título.
“O Brasil tem sido uma casa incrível para o LFA neste ano, e não há maneira melhor de encerrar nossa trajetória de 2026 no país do que com duas disputas de campeonato mundial em Cajamar. Natalia Alves e Raiane Vinuto são dois dos jovens talentos mais brilhantes da divisão peso-palha, e Gabriel Vinicius e João Paulo Silva conquistaram suas oportunidades de disputar o ouro. Nossos fãs no Brasil verão dois novos campeões serem coroados em 13 de novembro”, afirmou.
Para o vice-presidente do LFA na América do Sul, Rafael Feijão, a nova edição em Cajamar potencializa a parceria com o poder público e o uso do esporte como ferramenta de inclusão social. Campeão mundial de MMA, ele destaca a importância de levar eventos desse porte para perto da população.
“Cajamar tem recebido o LFA de braços abertos, e quero agradecer ao prefeito Kauan Berto por acreditar no nosso trabalho e abrir novamente as portas da cidade, e ao deputado estadual eleito Danilo Joan, que tem apoiado o projeto desde o início. Eu comecei no esporte e sei o quanto ele pode mudar a vida de um jovem. Quando um garoto vê um evento internacional na cidade dele, vê um atleta saindo daqui para o UFC, ele entende que é possível. É isso que a gente quer construir junto com os governos parceiros: oportunidade dentro e fora das competições”, declarou Feijão.
O LFA 246, apresentado pela Monster Energy, será realizado no Ginásio do Polvilho, com abertura dos portões às 16h30 e início das lutas preliminares às 17h. O card principal começará às 21h, com transmissão ao vivo pela ESPN Brasil. Os combates preliminares selecionados poderão ser acompanhados pelo canal LFA Fight Network, no YouTube.
A entrada será mediante a entrega de um litro de óleo de cozinha, que poderá ser trocado pelo ingresso no acesso ao ginásio, sujeito à capacidade do local. A arrecadação faz parte de uma ação social realizada em parceria com a Prefeitura de Cajamar e o Fundo Social de Solidariedade do município. Reserve seu ingresso no link https://www.sympla.com.br/evento/lfa-246/3618897.
O canadense Mike Malott levou a torcida ao delírio ao nocautear Joaquin Buckley na luta principal do UFC Edmonton, realizado neste sábado (17), no Canadá. O evento também contou com a participação do peso-pesado Jhonata Diniz, único brasileiro no card, que foi derrotado por Tanner Boser.
Na luta principal, válida pela divisão dos meio-médios (até 77kg), Malott definiu o confronto com uma joelhada certeira no rosto de Buckley, aos 2min32s do segundo round. O golpe derrubou o norte-americano e garantiu ao canadense sua quinta vitória consecutiva, enquanto Buckley amargou o terceiro revés seguido.
Jhonata Diniz não teve a mesma sorte. Enfrentando o canadense Tanner Boser na última luta do card preliminar, o brasileiro encontrou dificuldades para impor sua trocação e foi levado ao chão nos três rounds. Boser controlou boa parte das ações e conseguiu o nocaute técnico aos 4min26s do terceiro assalto.
Resultados completos do UFC Edmonton
Card principal
Mike Malott venceu Joaquin Buckley por nocaute aos 2min32s do R2.
Jasmine Jasudavicius venceu Erin Blanchfield por decisão unânime (triplo 29-28).
Cristian Perez venceu Kyle Nelson por nocaute aos 27s do R1.
Marc-André Barriault venceu Kyle Daukaus por nocaute técnico aos 4min28s do R1.
Timmy Cuamba venceu Louis Jourdain por finalização aos 2min48s do R2.
Mandel Nallo venceu Nate Landwehr por nocaute técnico aos 47s do R2.
Card preliminar
Tanner Boser venceu Jhonata Diniz por nocaute técnico aos 4min26s do R3.
Nick Galanti venceu Julien Leblanc por finalização aos 1min26s do R1.
Joel Faglier venceu Javad Mahjoub por nocaute técnico aos 2min11s do R2.
Katlyn Cerminara venceu Mackenzie Stiller por nocaute técnico aos 4min46s do R1.
Steven Koslow venceu Chad Anheliger por finalização aos 4min31s do R3.
Chelsea Chandler venceu Melissa Croden por finalização aos 4min52s do R1.
SuYoung You venceu Cody Chovancek por finalização aos 4min19s do R3.
Rei do Rio terá papel importante na corrida pelo ranking da FJJRio - Foto: Deive Coutinho
A reta final da temporada de Jiu-Jitsu da FJJRio terá mais um importante capítulo no dia 24 de outubro, com a realização do Rei do Rio, na Arena Carioca. Penúltima etapa do calendário de 2026, o evento reunirá atletas de diferentes idades e faixas em disputas com e sem kimono, além das competições Kids. A competição promete movimentar o circuito estadual, reunindo equipes e atletas em busca de bons resultados na reta decisiva da temporada. Além da disputa por medalhas, o Rei do Rio terá papel importante na corrida pelo ranking da FJJRio.
Rei do Rio terá papel importante na corrida pelo ranking da FJJRio – Foto: Deive Coutinho
“Vamos realizar mais uma etapa do calendário da FJJRio, reunindo atletas e as principais equipes em um evento de alto nível técnico. O Rei do Rio é muito importante, estamos na reta final da temporada, e cada ponto conta e pode fazer a diferença na disputa pelos títulos individuais e por equipes. Estamos trabalhando para oferecer uma excelente estrutura aos competidores e proporcionar mais um grande evento para o Jiu-Jitsu do Rio de Janeiro”, disse Kenya Gracie, presidente da FJJRio.
O campeonato é válido para a classificação anual da Federação, com pontuação destinada aos atletas que terminarem entre os três primeiros colocados de cada categoria e do absoluto. Com o calendário se aproximando do fim, cada resultado ganha ainda mais importância na disputa pelas primeiras posições.
O desempenho no Rei do Rio poderá influenciar a classificação dos competidores e das equipes antes da última etapa do ano. No entanto, os títulos de campeão da temporada, tanto no individual quanto por equipes, só serão definidos após a realização de todas as etapas previstas e o encerramento oficial do calendário de competições da FJJRio.
Campeão BMF do UFC, Charles Oliveira revelou detalhes dos bastidores de sua luta contra Diego Lopes e deixou claro que pretende voltar à disputa pelo cinturão dos leves. Em entrevista exclusiva no Conexão PVT, o brasileiro contou que inicialmente existiu a possibilidade de enfrentar Arman Tsarukyan, explicou por que o confronto não avançou naquele momento e projetou os próximos passos de sua carreira.
Segundo Charles, o UFC chegou a cogitar uma luta contra Tsarukyan, mas o prazo de preparação era curto, especialmente porque ele vinha de uma lesão. O brasileiro sugeriu que o duelo fosse realizado no fim do ano, mas a negociação não avançou.
Enquanto circulavam rumores sobre um possível confronto com Diego Lopes, Charles garante que ainda não havia recebido uma confirmação. A situação mudou quando seu treinador, Diego Lima, entrou em contato para avisar que Dana White poderia anunciar a luta naquele dia.
“E aí, há duas semanas atrás, eu tava aqui em casa e aí daqui a pouco, do nada, em meio a essas cogitação, o Diego pegou e me ligou e falou bem assim: ‘Ó, acho que o Dana White vai anunciar essa luta hoje’.”
O brasileiro também destacou o respeito pelo adversário, ressaltando a qualidade de Diego tanto na trocação quanto no jiu-jitsu.
“São dois caras que tem grande poder de fogo nas mãos, são dois caras que tem um jiu-jitsu completamente diferenciado”, avaliou, “Se tiver que sair na porrada, vai sair na porrada, mas só quero ir lá e vencer.”
Charles acredita que pode ser o próximo desafiante ao cinturão
Embora esteja concentrado no confronto com Diego Lopes, Charles não esconde que seu principal objetivo continua sendo reconquistar o cinturão dos leves.
Questionado sobre o cenário da divisão, especialmente diante das dúvidas envolvendo o futuro de Justin Gaethje e da presença de Arman Tsarukyan entre os principais candidatos ao título, o brasileiro afirmou que acredita ter credenciais para receber uma nova oportunidade caso vença Diego.
“Passando do Diegão agora, eu acho que o nome pesa, a história que eu tenho com ele pesa, então com certeza seria o próximo da fila a lutar pelo título”, declarou, “O Gaethje não aposentando, eu tenho a maior certeza que eu sou o próximo da fila, mas também, como acabei de falar, respeitando, sabendo que o Arman também tem a oportunidade de lutar pelo título pelo que vem sendo feito.”
Ze Delano luta no dia 7 de novembro - Foto: Divulgação
Depois de vencer em sua estreia no UFC, José “Zé” Delano terá pela frente um adversário que ainda não conhece a derrota no MMA. O brasileiro da Brazilian Top Team (BTT) enfrenta Murtazali Magomedov, do Quirguistão, no dia 7 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Conhecido como “The Highlight”, o rival soma 11 vitórias em 11 lutas, todas encerradas antes do limite, sendo cinco por nocaute e seis por finalização.
Ze Delano luta no dia 7 de novembro – Foto: Divulgação
Magomedov também venceu por finalização em sua primeira apresentação no UFC. Apesar do retrospecto do adversário, Delano pretende manter a postura ofensiva que caracteriza seu jogo, mas considera a paciência um fator importante para evitar erros diante de um lutador acostumado a definir os combates antes da decisão dos juízes.
“Ele é resiliente, não se entrega de forma nenhuma, mas acredito que nunca lutou com um cara que tem paciência para levar a luta pelo caminho planejado. Só lutou com pessoas que acabavam indo para o tudo ou nada, e creio que vamos fazer uma boa luta”, analisa o brasileiro.
Delano acredita que a movimentação e o controle da distância poderão ser importantes para neutralizar as investidas do quirguiz. O atleta da BTT também confia na defesa de quedas para manter o confronto nas situações em que considera ter vantagem.
“Ele tem mãos duras no striking e um bom jogo de finalização. É um lutador completo do UFC, como esperamos daqui para frente (risos). Mas eu tenho uma boa defesa de queda e sempre fico buscando a luta. Quando ele errar a distância, vai receber golpe o tempo inteiro. Creio que isso faça com que ele se afobe um pouco, e nós vamos colocar nosso ritmo”, projeta.
O brasileiro afirma que sua equipe estudou as características de Magomedov e se preparou para possíveis mudanças de estratégia durante o combate. A intenção é assumir a iniciativa, sem se precipitar na busca pelo resultado.
“Nós esperamos algo parecido com o que ele apresentou até agora e, por isso, caso seja o contrário, é algo com que também já estamos acostumados. Mas nós é que vamos imprimir o ritmo da luta. Será agressivo como sempre foi”, garante.
Além da dificuldade técnica do confronto, Delano espera lidar melhor com a pressão de competir no UFC. Embora tenha vencido sua primeira luta na organização, o brasileiro admite que o nervosismo interferiu em seu desempenho nos momentos iniciais dos rounds. Para o segundo compromisso, a preparação foi mantida, mas ele acredita que a experiência anterior poderá ajudá-lo a entrar no octógono mais tranquilo.
“Foi uma boa experiência. Saímos com a vitória, apesar de eu estar bem nervoso no início dos rounds, mas serviu para tirar aquela pressão que sempre há numa estreia. Não mudamos nada em relação à preparação. Tudo como sempre, o mesmo empenho, a mesma dedicação e a mesma vontade de chegar e dar um espetáculo”, afirma.
A segunda apresentação no UFC também será uma oportunidade para Delano dar sequência à carreira na organização. Sem estabelecer prazos para disputar posições de maior destaque, ele prefere concentrar a atenção no próximo adversário.
“Creio que agora vamos entrar mais calmos, sem a pressão da estreia. Estou me sentindo tranquilo, com uma vitória no meu cartel já dentro do maior evento do mundo, e estamos prontos para buscar a segunda. Vamos para cima!”, afirma.
Ao falar sobre os planos para o futuro, Delano adota um discurso prático. O brasileiro quer continuar competindo, conquistar estabilidade financeira com o esporte e aproveitar as oportunidades que surgirem ao longo da carreira.
“Quero fazer boas lutas e pagar minhas contas. Se eu me tornar um grande nome e famoso, será porque o Senhor Jesus quis que eu alcançasse esse lugar e confiou a mim esse local de fala. Por enquanto, meu desejo é lutar bem, pagar minhas contas e me divertir realizando sonhos!”, conclui.
O ex-lutador do UFC Thiago Tavares trocou o octógono pelos consultórios, mas continua ligado ao mundo das lutas. Depois de construir uma carreira de nove anos na maior organização de MMA do mundo, o catarinense se formou em Medicina e hoje trabalha com atletas de esportes de combate, além de desenvolver um projeto de pesquisa sobre os possíveis danos cerebrais provocados por impactos repetidos na cabeça.
Em entrevista ao Resenha PVT, Thiago contou que decidiu estudar Medicina após encerrar sua trajetória no UFC. Aos 31 anos, voltou à sala de aula, passou por uma universidade na Argentina e concluiu a formação em Santa Catarina. Atualmente, atua na área da saúde mental, atende ex-lutadores e também trabalha como médico em eventos de MMA.
A ligação com o UFC ganhou um novo capítulo em 2025, quando Thiago voltou a participar de um evento da organização no Brasil, desta vez como médico. O reencontro com o octógono foi emocionante para quem disputou 18 lutas na organização.
Pesquisa sobre ETC e casos observados em ex-lutadores
Um dos principais assuntos da entrevista foi a encefalopatia traumática crônica (ETC), doença neurodegenerativa associada à exposição repetida a impactos na cabeça e que preocupa cada vez mais profissionais envolvidos com esportes de contato.
Thiago revelou que atende ex-atletas de organizações como UFC e Pride e relatou ter observado alterações cognitivas e sintomas psiquiátricos em alguns pacientes. Entre os casos mencionados, destacou dois lutadores sob seus cuidados que apresentam manifestações psicóticas, incluindo delírios persecutórios e, em um deles, alucinações.
O médico ressaltou a preocupação com esses quadros ao explicar seu interesse em investigar as consequências neurológicas da carreira esportiva.
A proposta envolve atletas que competiram na organização entre 2010 e 2017, utilizando avaliações cognitivas e um equipamento de eletroencefalograma com auxílio de inteligência artificial. O objetivo é investigar se essas ferramentas podem contribuir para identificar alterações relacionadas à exposição repetida a golpes na cabeça. A pesquisa ainda não apresentou resultados que permitam diagnosticar ETC em vida.
“Não existe uma dose segura de traumas na cabeça, como se fosse”, afirmou Thiago, ao explicar que a preocupação não se limita aos nocautes, mas também à repetição dos impactos ao longo dos anos de treinamento e competição.
Durante a conversa, o ex-lutador também relembrou os sacrifícios que fazia para bater peso, incluindo episódios em que perdeu a consciência na sauna, analisou possíveis causas do episódio de perda de consciência envolvendo Raoni Barcelos e comentou sua decisão de abandonar a carreira esportiva. Apesar dos riscos que hoje conhece melhor, garantiu que voltaria a lutar e defendeu que os atletas recebam mais informações sobre as consequências da profissão, além de maior valorização financeira.
Edição definiu nova postulante ao cinturão — Foto: Pedro Gomes/CBAMC
A 46ª edição do Kung-Fu Fight, realizada no último sábado (17), no Ginásio Baby Barioni, em São Paulo, terminou com Suellen Santos na liderança do ranking feminino até 55 kg e três vitórias por nocaute entre os 12 combates disputados. Organizado pela Confederação Brasileira de Artes Marciais Chinesas (CBAMC), o evento também teve a vitória do jovem João Mazutti sobre José Uilton, que vinha de um nocaute premiado na edição anterior, e a vitória do venezuelano Angeluz Rincon.
Edição definiu nova postulante ao cinturão — Foto: Pedro Gomes/CBAMC
Uma das principais disputas da noite envolveu Suellen Santos e Adriana Simões. Em busca de pontos para chegar à disputa do cinturão, Suellen venceu a adversária por decisão dos árbitros, com placar de 4 a 1, e assumiu a primeira posição no ranking dos 55 kg. Agora, aguarda a definição da organização sobre a próxima disputa de título e sua possível adversária.
Na categoria absoluto, Carlos Sena conquistou o prêmio de melhor nocaute da edição ao acertar um chute na cabeça de Luis Araujo no fim do primeiro round. O combate vinha sendo disputado com trocas de golpes entre os dois atletas até a interrupção. Outro nocaute aconteceu nos 70 kg, quando Marcelo Matos acertou uma joelhada no queixo de Antonio Barbosa no segundo round, após um primeiro assalto em que procurou estudar as movimentações do adversário.
Entre os pesos até 65 kg, João Mazutti venceu José Uilton por decisão unânime, com placar de 5 a 0, em sua segunda participação no Kung-Fu Fight. O resultado chamou atenção pelo retrospecto do adversário, que havia conquistado o prêmio de melhor nocaute da 44ª edição após virar uma luta contra o turco Ozgur Adibelli. O confronto entre Mazutti e Uilton recebeu o prêmio de melhor luta da noite.
Na mesma categoria, Matheus Vinicius se recuperou da derrota sofrida recentemente para Elisvaldo em uma disputa de cinturão. Diante de Fabio Lopes, um dos atletas mais experientes da organização, venceu os cinco rounds e ficou com a decisão unânime por 5 a 0. O resultado permite ao lutador voltar a acumular pontos na tentativa de conquistar outra oportunidade pelo título.
Também por decisão unânime, João Oliveira superou Daniel Anjos na luta que encerrou a programação. O confronto dos 76 kg terminou com placar de 5 a 0 para Oliveira, que chegou à edição após duas vitórias consecutivas na organização e ampliou sua sequência positiva.
Representando Sergipe, Wendel Souza venceu Wallison Alexandre por 4 a 1 na categoria até 60 kg. O sergipano levou os quatro primeiros rounds e administrou a vantagem para garantir o resultado. Já nos 82 kg, Davi Guimarães superou Paolo Henkel por decisão unânime de 5 a 0, depois de controlar a pontuação ao longo dos cinco assaltos.
O confronto internacional da edição terminou com vitória da Venezuela. Angeluz Rincon enfrentou o brasileiro Bruno Marcelo na categoria até 55 kg e venceu por decisão dos árbitros, com placar de 4 a 1.
Nas três lutas semiprofissionais que abriram o evento, Matheus Alves venceu Lucas Roberto por decisão dividida de 2 a 1, nos 70 kg. Gabriel Ferreira nocauteou Marcos Dagoberto na divisão até 60 kg, enquanto Everaldo Amorim superou Marcelo Santiago por decisão unânime de 3 a 0, nos 65 kg.
Com o encerramento da 46ª edição, a CBAMC prepara o World Kung-Fu Fight, marcado para 14 de novembro, em São Paulo. O evento internacional fará parte da programação do Campeonato Mundial de Kung-Fu 2026, que será realizado nos dias 14 e 15 de novembro, no Ginásio Mauro Pinheiro. Segundo a organização, representantes de mais de 25 países já confirmaram participação na competição.
Confira abaixo todos os os resultados do evento:
Kung-Fu Fight 46 São Paulo, SP 17 de outubro de 2026
Card profissional
João Oliveira venceu Daniel Anjos por decisão (5 x 0)
Matheus Vinicius venceu Fabio Lopes por decisão (5 x 0)
João Mazutti venceu José Uilton por decisão (5 x 0) – Melhor Luta da Noite
Wendel Souza venceu Wallison Alexandre por decisão (4 x 1)
Suellen Santos venceu Adriana Simões por decisão (4 x 1)
Carlos Sena venceu Luis Araujo por nocaute no 1º round – Melhor Nocaute da Noite
Marcelo Matos venceu Antonio Barbosa por nocaute no 2º round
Angeluz Rincon venceu Bruno Marcelo por decisão (4 x 1)
Davi Guimarães venceu Paolo Henkel por decisão (5 x 0)
Card semiprofissional
Everaldo Amorim venceu Marcelo Santiago por decisão (3 x 0)
Gabriel Ferreira venceu Marcos Dagoberto por nocaute
Matheus Alves venceu Lucas Roberto por decisão (2 x 1)