Histórias de superação são uma marca no MMA nacional. Quem não se emocionou no cinema com a história de José Aldo em “Mais Forte que o Mundo” ou na série “Anderson Spider Silva” disponivel na Paramount + ? E o que falar da história de Poatan, que ainda não virou filme, mas já emocionou muita gente.
Independente de onde consiga chegar, por tudo que viveu em seus 27 anos de vida, o paranaense Macksom Lee, que tem um cartel de 10 lutas e apenas uma derrota no MMA, emociona ao contar os capitulos que marcaram sua trajetória até aqui.
Depois de sofrer sua primeira derrota, por decisão, para o espanhol Hecher Sosa em setembro passado, o brasileiro retornará ao cage em 24 de julho para enfrentar o boliviano Carlos Tardio (12-2) na luta principal do LFA 237, em La Crosse, Wisconsin.

A TRAGÉDIA DO RAIO
Filho de Makine Santos — atleta da seleção brasileira de Sanda —, Macksom literalmente cresceu em um dojo. “Quando eu tinha cinco anos, meu pai se separou da minha mãe e me levou para morar com ele na academia. Então, eu realmente cresci nos tatames. Comecei a treinar Sanda entre os oito e nove anos, competi pela primeira vez aos dez e não parei mais”, conta Macksom ao PVT, revelando que seu nome do meio (Lee) foi uma homenagem de seu pai ao seu ídolo, Bruce Lee.
Depois de finalmente conquistar o bicampeonato brasileiro de Sanda, Maksom convenceu seu pai, Markine Santos, a deixá-lo seguir o sonho de migrar para o MMA. “Ele chegou a me ver vencer duas lutas de MMA — estava no meu córner — antes da tragédia acontecer, quando eu tinha 17 anos”, conta o jovem lutador, emocionado, ao relembrar o dia em que seu pai morreu após ser atingido por um raio em uma praia no Paraná.
Após a perda de seu mentor e grande ídolo, Maksom foi acolhido pelo lutador de Vale Tudo Roberto “Facada” Neves, que havia sido companheiro de equipe de seu pai na seleção nacional. “Tive a honra de ser amigo e companheiro de equipe do pai dele, Markine; ele era como um irmão para mim. Quando ele faleceu, Maksom tornou-se como um filho para mim, e o objetivo de transformá-lo em campeão passou a ser meu também”, disse Facada ao PVT, expressando sua convicção de que Maksom vencerá desta vez, agora que seu pupilo está livre de lesões graves. “Muita gente não sabe, mas, apenas 15 dias antes da luta, ele sofreu uma queda feia na academia e rompeu os ligamentos do ombro; ficou quase quatro dias sem conseguir sequer mover o braço. Ele só lutou porque é um verdadeiro guerreiro e não queria, de jeito nenhum, perder a chance de chegar ao UFC.” Maksom acredita que, sem a lesão, conseguirá mostrar todo o seu potencial. “Não falei nada para não parecer que estava dando desculpas, mas a verdade é que, naquela luta, eu basicamente apenas sobrevivi. Isso me incomodou muito, porque uma das minhas maiores qualidades é a defesa de quedas. Mesmo assim, com todos esses problemas, meu adversário não conseguiu me nocautear nem me finalizar, e acabou sendo contratado. Agora, quero mostrar aos responsáveis pelas contratações do UFC que, sem lesões, sou plenamente capaz de vencer qualquer um da categoria”. Para Maksom a ida para os EUA foi o diferencial no camp atual. “A melhor escolha que fiz foi vir para os EUA para realizar um camp coordenado pelo mestre Roberto ‘Facada’ Neves. É a primeira vez que faço um camp totalmente focado em mim, com sparrings simulando o estilo do meu oponente”.

REALIZANDO O SONHO DO PAI
O brasileiro não hesita ao ser perguntado sobre como planeja derrotar Tardio: “Se tudo sair como o planejado, espero nocautear o boliviano logo no primeiro round.” Confiante na vitória de seu pupilo, Facada espera poder ajudá-lo, no dia 24, a dar mais um passo rumo à realização do sonho de seu grande amigo. “Makine trabalha incansavelmente e tem evoluído rapidamente; tenho certeza de que ele logo mostrará ao mundo o seu verdadeiro potencial. Posso afirmar, sem sombra de dúvida, que se meu amigo estivesse aqui, ele sentiria um orgulho imenso ao ver o homem, o atleta e o guerreiro em que seu filho se transformou.”



















