Projeto Na Guarda transforma vidas em Nova Iguaçu (RJ) com jiu-jítsu

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Projeto social leva cidadania a jovens da Baixada Fluminense - Foto: Divulgação

O tatame tem sido um espaço de formação dentro da Casa Lar, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Criado para oferecer aulas gratuitas de jiu-jítsu a crianças, jovens e adultos, o projeto social Na Guarda utiliza a modalidade como ferramenta de inclusão, disciplina e desenvolvimento pessoal.

Projeto social leva cidadania a jovens da Baixada Fluminense – Foto: Divulgação

A iniciativa ganhou um novo impulso com a doação de kimonos promovida pela Legião da Boa Vontade (LBV), incentivadora do projeto ao lado da Super Rádio Brasil, ampliando as condições para que novos alunos possam treinar e competir.

O Na Guarda integra um conjunto de ações sociais desenvolvidas pela Casa Lar, ligada à Igreja Batista Nova Filadélfia. Somente neste ano, a instituição recebeu mais de 500 inscrições, além de realizar cerca de 200 atendimentos semanais.

À frente das aulas de jiu-jítsu estão o mestre João Carlos, conhecido como Janjão, o professor Jansen Cruz e o sargento da Polícia Militar Santos Lopes, o Jacaré, faixa-preta de Muay Thai e faixa marrom de jiu-jitsu e também integrante do BOPE. O trabalho é realizado de forma voluntária e busca formar atletas sem perder de vista o papel social da modalidade.

Segundo Janjão, o projeto nasceu há cerca de 11 anos e cresceu com o apoio da comunidade. Para ele, o jiu-jítsu cria oportunidades que ultrapassam o ambiente esportivo.

“Hoje a gente tem um exemplo vivo aqui dentro, que é a Grazi. Através do jiu-jítsu ela conheceu o mundo todo. Isso mostra a importância de acreditar no trabalho que fazemos. Com novas parcerias, fica mais fácil levar esse projeto ainda mais longe.”

Um dos principais exemplos é a atleta Grasielle Brandão, de 23 anos. Moradora de Nova Iguaçu, ela iniciou no jiu-jítsu aos 13 anos e hoje soma participações em seis Campeonatos Mundiais, além de competir duas vezes na Itália, duas na Turquia e seis em Abu Dhabi. Nos últimos anos, passou a integrar a elite da modalidade em sua categoria e utiliza sua trajetória para incentivar os alunos do projeto.

“Há alguns anos eu estava no lugar dessas crianças. Hoje poder servir de exemplo para elas é muito importante. O projeto muitas vezes é o único escape que esses jovens têm e mostra que é possível chegar longe através do esporte”, afirmou.

A atleta também destacou a importância da doação dos kimonos para famílias que enfrentam dificuldades financeiras.

“Muitos desses alunos não teriam condições de comprar um kimono. Para muitos pais, entre gastar R$ 300 com o equipamento ou com a alimentação da casa, a prioridade será sempre a compra do mês. Esse apoio pode mudar a vida dessas crianças.”

Para o sargento Santos Lopes, a chegada da LBV representa um passo importante para ampliar o alcance do trabalho desenvolvido em Nova Iguaçu.

“A LBV realiza um trabalho sério. Essa parceria chega para fortalecer o projeto e dar oportunidade para que mais crianças participem. Quem ajuda a LBV também está ajudando iniciativas como a nossa.”

Além do jiu-jítsu, o local oferece atividades esportivas, reforço escolar, alfabetização de jovens e adultos, cursos profissionalizantes, orientação jurídica e atendimentos nas áreas de saúde, como fisioterapia, nutrição, psicologia, psicanálise, neuropedagogia e psicopedagogia. Os serviços funcionam com valores simbólicos, e famílias em situação de vulnerabilidade podem receber isenção após avaliação social.