Ex-UFC, Thiago Tavares vira médico e investiga danos cerebrais em lutadores

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thiago tavares no ufc

O ex-lutador do UFC Thiago Tavares trocou o octógono pelos consultórios, mas continua ligado ao mundo das lutas. Depois de construir uma carreira de nove anos na maior organização de MMA do mundo, o catarinense se formou em Medicina e hoje trabalha com atletas de esportes de combate, além de desenvolver um projeto de pesquisa sobre os possíveis danos cerebrais provocados por impactos repetidos na cabeça.

Em entrevista ao Resenha PVT, Thiago contou que decidiu estudar Medicina após encerrar sua trajetória no UFC. Aos 31 anos, voltou à sala de aula, passou por uma universidade na Argentina e concluiu a formação em Santa Catarina. Atualmente, atua na área da saúde mental, atende ex-lutadores e também trabalha como médico em eventos de MMA.

A ligação com o UFC ganhou um novo capítulo em 2025, quando Thiago voltou a participar de um evento da organização no Brasil, desta vez como médico. O reencontro com o octógono foi emocionante para quem disputou 18 lutas na organização.

Pesquisa sobre ETC e casos observados em ex-lutadores

Um dos principais assuntos da entrevista foi a encefalopatia traumática crônica (ETC), doença neurodegenerativa associada à exposição repetida a impactos na cabeça e que preocupa cada vez mais profissionais envolvidos com esportes de contato.

Thiago revelou que atende ex-atletas de organizações como UFC e Pride e relatou ter observado alterações cognitivas e sintomas psiquiátricos em alguns pacientes. Entre os casos mencionados, destacou dois lutadores sob seus cuidados que apresentam manifestações psicóticas, incluindo delírios persecutórios e, em um deles, alucinações.

O médico ressaltou a preocupação com esses quadros ao explicar seu interesse em investigar as consequências neurológicas da carreira esportiva.

A proposta envolve atletas que competiram na organização entre 2010 e 2017, utilizando avaliações cognitivas e um equipamento de eletroencefalograma com auxílio de inteligência artificial. O objetivo é investigar se essas ferramentas podem contribuir para identificar alterações relacionadas à exposição repetida a golpes na cabeça. A pesquisa ainda não apresentou resultados que permitam diagnosticar ETC em vida.

“Não existe uma dose segura de traumas na cabeça, como se fosse”, afirmou Thiago, ao explicar que a preocupação não se limita aos nocautes, mas também à repetição dos impactos ao longo dos anos de treinamento e competição.

Durante a conversa, o ex-lutador também relembrou os sacrifícios que fazia para bater peso, incluindo episódios em que perdeu a consciência na sauna, analisou possíveis causas do episódio de perda de consciência envolvendo Raoni Barcelos e comentou sua decisão de abandonar a carreira esportiva. Apesar dos riscos que hoje conhece melhor, garantiu que voltaria a lutar e defendeu que os atletas recebam mais informações sobre as consequências da profissão, além de maior valorização financeira.