Carlson x Barra: Gordo empata com Bitetti, Zé Mario faz 29×0 em Dalla

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registro de Carlson e sua equipe nos bastidores do Hotel Nacional

Em agosto de 1994 o salão de convenções do Hotel Nacional, em São Conrado, no Rio de Janeiro, foi o palco para uma série de seis lutas desafio entre atletas da Carlson e da Barra. No único duelo entre faixas pretas do evento Amaury Bitetti enfrentou Roberto Gordo, num combate de 30 minutos que valia uma bolsa de US$ 5mil ao vencedor.

O grandes destaques da noite foram o faixa marrom da Carlson, Zé Mario Sperry e o roxa da Barra, Marcio Feitosa. Invicto desde a faixa azul, Zé Mario fez 29 pontos em Léo Dalla, enquanto Marcinho venceu de virada Wagney Fabiano.

Um registro de Carlson Gracie e seu irmão Robson antes da luta principal

Texto e Fotos Marcelo Alonso 

A primeira luta foi entre os faixas azuis Marcelo Melo (Ac. Carlson Gracie) e Nelson Aguiar (Akxe/Paulo Caruso). Com duração prevista de 15 minutos, a luta foi arbitrada por Royler Gracie. E na hora do combate, Marcelo mostrou rapidamente sua superioridade técnica, passando a guarda, montando e finalizando o adversário com um estrangulamento.

A segunda luta foi na faixa roxa, com duração de 20 minutos, entre Márcio Feitosa (Ac. Barra Gracie) e Wagney Fabiano (Ac. Mello Tenis Clube). O árbitro foi Redley Vigio. A luta se deu praticamente o tempo inteiro em pé, apesar das várias tentativas de Márcio de levá-la para o chão, o que só aconteceu nos minutos finais. Mas nesse momento, foi Wagney quem levou a melhor e conseguiu 2 pontos ao colocar o joelho na barriga do adversário. Só que, a partir daí, Márcio mostrou porque nunca perdeu uma luta, passando duas vezes a guarda de Wagner e ganhando a luta de virada (6 x 2).

A terceira luta também na faixa roxa, reuniu Paulo Guilhobel (Ac. Khan) e Rinaldo Santos (Ac. Carlson Gracie), tendo como árbitro Paulo Caruso. A luta, no entanto, não correspondeu às expectativas gerais, pois foi marcada pelo excesso de catimba de ambas as partes. O resultado foi um empate técnico.

A quarta luta foi entre Rommel Cardoso (Ac. Barra Gracie) e Ricardo Rei (Ac. Carlson Gracie), ambos também faixa roxa. O árbitro foi novamente Paulo Caruso. Neste combate os atletas mostraram muita disposição e técnica, indo para o solo logo no primeiro minuto. Rei conseguiu passar a guarda de Rommel, que repôs em seguida. Rei voltaria a passar a guarda do oponente, mas a luta teve que ser interrompida em função de um corte no supercílio esquerdo do aluno de Carlinhos Gracie. Resultado, vitória de Rei (6 x 0).

A quinta luta da noite tinha duração prevista de 30 minutos, entre os faixas marrons Leonardo Dalla (Ac. Khan) e Zé Mário (Ac. Carlson Gracie), outra vez dirigida por Paulo Caruso. O atleta Zé Mário venceu a luta com facilidade, pois além de ser mais pesado e experiente, mostrou também ser mais técnico. Logo nos primeiros 10 min, Zé Mário deu um verdadeiro show, com 2 joelhos na barriga, 7 passagens de guarda e 1 montada, totalizando 29 pontos. E ele só não conseguiu finalizar devido a raça de Léo, que lutou muito até o final. Resultado: vitória de Zé Mário (29 x 0). Três meses depois desta luta Zé Mario venceria peso e absoluto no primeiro brasileiro de Jiu-Jitsu organizado pela CBJJ. Um ano depois o aluno de Carlson faria sua estreia no Vale Tudo vencendo o boxer TNT Tyson num evento de Vale Tudo em Niteroi.

Na luta principal Amaury Bitetti não conseguiu passar a guarda de Gordo

A sexta e última luta da noite era também a mais esperada, pois colocou frente a frente o faixa preta Amaury Bitetti (Ac. Carlson Gracie) e o rei da meia guarda, Roberto Gordo (Ac. Barra Gracie), tendo como árbitro Redley Vigio. O desafiante Gordo havia afirmado que apesar de ser mais leve, era também mais técnico e que em 30 minutos de luta, a técnica se sobrepõe à força. Por sua vez, Amaury, que ainda não havia perdido na faixa preta, garantiu que venceria em 10 minutos.

Na hora da luta, os dois oponentes se estudaram bastante e Gordo mostrou disposição botando Amaury na meia guarda, tentando duas vezes ir para as costas. Amaury, por sua vez, tentou várias vezes abrir a guarda do adversário, mas não teve êxito. O combate prosseguiu assim até o minuto final, quando Amaury quase conseguiu passar a do adversário, que repôs. Desta forma, a luta terminou num empate técnico com o prêmio de US$ 5000 sendo dividido entre os dois protagonistas.