Da Zona Norte do Rio para o mundo, GFTeam amplia alcance do jiu-jitsu e chega aos cinco continentes

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Seminário reuniu professores da GFTeam em Vista Alegre - Foto: Divulgação

Uma equipe de jiu-jitsu nascida na Zona Norte do Rio tornou-se uma rede presente nos cinco continentes e abriu caminhos para que jovens que chegaram aos tatames em busca de uma oportunidade se tornassem campeões ou construíssem uma profissão ensinando a modalidade pelo mundo. À frente desse processo está o mestre Julio Cesar Pereira, faixa-coral 8º grau e líder da GFTeam, que mantém na formação de novas gerações uma das bases do trabalho desenvolvido pela equipe.

Seminário reuniu professores da GFTeam em Vista Alegre – Foto: Divulgação

A dimensão alcançada pela GFTeam poderá ser vista neste domingo, dia 20, quando 1.464 atletas participarão do Nacional GFTeam, no ginásio do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio. O número é recorde de inscrições na competição interna e reúne integrantes de diferentes filiais da equipe.

O campeonato também ajuda a financiar a participação de atletas da GFTeam em torneios internacionais. Parte da arrecadação é destinada ao instituto ligado à equipe, que utiliza os recursos para auxiliar competidores com despesas de viagens para eventos como o Mundial, o Europeu e competições em Abu Dhabi.

“É uma das maneiras que a gente encontrou para poder gerir dinheiro e ajudar os atletas”, explicou Julio Cesar.

Dois dias antes do Nacional, o Centro de Treinamento da GFTeam, em Vista Alegre, também recebeu professores e integrantes da equipe para um seminário interno com Julio Cesar. O encontro realizado nesta quinta-feira foi dedicado à troca de experiências, ao planejamento das próximas ações e à avaliação do trabalho desenvolvido nas diferentes academias.

A prática faz parte da rotina de uma organização que cresceu geograficamente e precisa manter contato entre seus professores. Julio Cesar conta que procura reunir os técnicos aproximadamente a cada dois meses.

“É muito bom para trocar informações, aprender, planejar tudo o que a gente vai fazer no próximo ano, rever o que nós acertamos e o que nós erramos. Eu gosto muito de reunir, pelo menos a cada dois meses, todos os técnicos das academias”, afirmou.

A expansão levou a GFTeam para fora do Brasil e criou uma rede internacional de academias.

“Graças a Deus, hoje a GFTeam está nos cinco continentes. Até na Austrália nós já chegamos. Na Nova Zelândia também. Então, na Ásia, na Europa, na América do Sul. Estamos nos cinco continentes”, disse.

A história, no entanto, começou longe dessa estrutura internacional. A origem está na Vila da Penha e na tradição de jiu-jitsu da Academia Muniz Salomão, ligada à linhagem de Oswaldo Fadda. Foi a partir desse ambiente que Julio Cesar desenvolveu uma concepção na qual o resultado esportivo divide espaço com a educação e a preparação dos alunos para a vida profissional.

“A gente sempre foi muito preocupado com o educacional. Estamos mais preocupados em formar o cidadão do que propriamente fazer o campeão. A nossa preocupação, a filosofia, é formar o campeão da vida. Um bom policial, um bom médico, um bom cabeleireiro, um ser humano melhor. Esse é o nosso DNA”, afirmou.

Essa filosofia ganhou outra dimensão conforme a equipe cresceu. Alguns dos jovens formados nos tatames da GFTeam chegaram aos principais campeonatos de jiu-jitsu. Para outros, a modalidade abriu uma possibilidade profissional como professores em países onde a equipe estabeleceu filiais.

Julio Cesar cita como exemplo um trabalho desenvolvido na academia com jovens que deixam o Nordeste para treinar no Rio. A partir da formação recebida na equipe, alguns são encaminhados para trabalhar no exterior quando academias da GFTeam procuram professores brasileiros.

“Os meninos que vêm do Nordeste começam a treinar jiu-jitsu aqui e daqui ganham o mundo. Não só sendo campeão mundial, mas indo dar aula em Abu Dhabi, nos Estados Unidos, na Ásia ou na Austrália. Onde nós temos filiais, sempre pedem professores qualificados aqui do Brasil e a gente consegue indicar esses meninos para lá”, contou.

É nesse percurso que o trabalho esportivo da GFTeam se encontra com iniciativas de inclusão social. Para Julio Cesar, ampliar o acesso ao jiu-jitsu depende também de parcerias capazes de criar condições para que crianças e adolescentes permaneçam nos projetos e encontrem oportunidades a partir do esporte. O mestre cita Leonardo e Rafael Picciani entre os apoiadores dessa atuação.

“Eu sempre quis ter uma parceria com alguns políticos que realmente fazem política certa. Encontramos no Leonardo e no Rafael Picciani aquelas pessoas que realmente estão preocupadas em fazer o negócio andar, preocupadas com as crianças, com os adolescentes. Bateu de frente essa parceria muito boa e a gente está em frente, se Deus quiser”, disse.

A trajetória de Julio Cesar também acompanha a transformação da própria equipe. Como competidor, acumulou títulos ao longo da carreira e, como treinador, participou da formação de sucessivas gerações. Hoje, enquanto a GFTeam chega a diferentes partes do mundo, o mestre continua recorrendo à origem na Vila da Penha para definir o que pretende transmitir a quem entra em suas academias.

“Estamos mais preocupados em formar o cidadão do que propriamente fazer o campeão. O campeão é o preço que ele vai pagar dentro da academia. Mas a nossa preocupação, a filosofia, é formar o campeão da vida.”