De luta marcada, Ice Blue, do Racionais MC’s, quer inspirar jovens a buscarem o jiu-jitsu

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Ice Blue é faixa-preta de jiu-jitsu - Foto: Ana Assis

Escalado para fazer uma superluta de jiu-jitsu na 10ª edição do evento BJJ Stars, que acontece no dia 22 de abril, na capital paulista, o rapper e faixa-preta Ice Blue, dos Racionais MC’s, comentou sobre o impacto da arte suave em seu processo de amadurecimento como ser humano e como ela pode servir de ferramenta de transformação social para os jovens das periferias brasileiras.

Ice Blue é faixa-preta de jiu-jitsu – Foto: Ana Assis

“Eu costumo dizer que eu, um moleque da periferia, com todas as questões sociais, com vários pensamentos de revolução, eu tinha uma revolta incontrolável e uma solidão inexplicável. Por não ter pai, muitas vezes eu não tinha com quem dividir as coisas. E no tatame eu encontrei uma maneira de extravasar, de me encontrar mentalmente e sair da minha zona de conforto”, relembrou Ice Blue.

“O jiu-jitsu me reeducou, me trouxe vários benefícios na vida social e me ensinou a lidar com as pessoas. A partir do momento que eu comecei a praticar jiu-jitsu, eu me tornei outra pessoa, e isso eu tenho que agradecer ao jiu-jitsu”, completou o membro dos Racionais, que terá pela frente Alexandre Godoy no BJJ Stars 10.

Ice Blue revelou que a luta do dia 22 tem um propósito que vai muito além da competição.

“Assim como muita gente diz que eu sou um canal de inspiração para muitas pessoas, eu quero inspirar e ajudar a tirar esse preconceito que ainda existe com o jiu-jitsu dentro da periferia. O jiu-jitsu é um esporte educativo, que vai ajudar a educar a sua mente. Então, o que me motivou a lutar neste evento é fazer essa conexão direta com as pessoas que não têm conhecimento sobre a arte e trazer outras pessoas para o tatame. Essa é a minha maior esperança, que eu consiga alcançar o máximo de moleques de periferia do Brasil e que eles possam procurar uma academia para treinar. Esse é o meu maior objetivo”, enfatizou.

Atualmente existem inúmeros projetos sociais instalados dentro de comunidades brasileiras levando não somente as técnicas do jiu-jitsu como também toda a filosofia fundada em respeito pregada pela arte. Nas últimas décadas, muitos jovens descobertos nas favelas se tornaram grandes campeões ou passaram a viajar o mundo compartilhando os ensinamentos, servindo de referência para outras gerações e tirando o sustento da família através de aulas.

“Tem vários projetos de jiu-jitsu aqui no Capão Redondo, como o Instituto Antônio Geração do Bem. Existem vários projetos para ajudar a lidar com as crianças de periferia. Esses caras conseguem lidar com esses moleques que têm essa rebeldia que eu tinha. Quando eu cheguei na academia, eu já estava um pouco mais velho. Eu já entendia um pouco mais a doutrina. Mas esses projetos têm tudo a ver com a educação. Muitas vezes os moleques não respeitam os pais em casa, mas respeitam o mestre na academia. E aí ele começa a ter uma doutrina que o leva para casa. Então, o jiu-jitsu hoje também está sendo fundamental dentro da periferia como uma arte tanto de luta quanto de terapia”, destacou o rapper.

Entre as referências de Ice Blue no jiu-jitsu estão o saudoso Leandro Lo, Roberto Godoi, André Garapa, Mahamed Aly e, como não poderia deixar de ser, Fernando Tererê, cria do morro do Cantagalo, no Rio, e um dos primeiros a instalar um projeto social voltado ao ensino da arte suave nas favelas.

“Eu gosto demais do (Mahamed) Aly, o finado Leandro Lo também era um cara que eu admirava demais. Um cara que a gente se inspirava só de ver ele rolando. Me espelho no (Roberto) Godoi, no (André) Garapa, e nos caras que estão mais próximos. O Jiu-Jitsu é uma união de várias técnicas, você pega um pouquinho de um, um pouquinho de outro. Eu me inspirei muito no Godoi quando eu treinava com ele. As passagens de guarda dele, a forma como ele usava a lapela… E o Garapa me ensinou outras coisas. Então, a gente se inspira nos de dentro e nos de fora, sem esquecer do Fernando Tererê. Sem esquecer do homem, porque esse é inspiração total”, comentou.

Acostumado a transmitir mensagens através do rap, Ice Blue destacou a principal mensagem que a vida no tatame lhe passa.

“A mensagem que o jiu-jitsu me trouxe foi respeito, respeito ao próximo, respeito ao ser humano. Me mostrou que a gente é feito de carne e osso, que a gente machuca, que a gente quebra, que a gente tem sentimento. Então, toda vez que você está rolando com um cara mais fraco que você, você precisa respeitar as limitações, pois a intenção não é machucar. Então, em primeiro lugar, o respeito foi o maior aprendizado no jiu-jitsu. Essa sensibilidade foi o que mais o jiu-jitsu me deu”, disse o faixa-preta.

Serviço:

BJJ Stars 10
Data: 22 de abril de 2023 – sábado
Local: Pacaembu, São Paulo
Endereço: Praça Charles Miller, s/n

CARD COMPLETO:

GP Absoluto:
Erich Munis
Kaynan Duarte
Mica Galvão
Fellipe Andrew
Victor Hugo
Roberto Cyborg
Patrick Gaudio
Gutemberg Pereira
Adam Wardzinski
Mauricio Oliveira
Dhevonte Johnson
Otávio Nalati
Pedro Lucas
Uanderson Ferreira
Guilherme Lambertucci
Vinicius Liberati

Superlutas:
Ice Blue x Alexandre Godoy
Amanda Hening x Ingridd Alves
Lucas Maquine x João Rocha