Jovem com paralisia cerebral supera limitações com o jiu-jitsu em projeto social de Itaguaí (RJ)

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André Seabra é professor de Guilherme de Oliveira - Foto: Arquivo pessoal

Aos 24 anos, Guilherme de Oliveira encontrou no tatame uma forma de desafiar diariamente os limites impostos pela paralisia cerebral tetraplégica espástica. Faixa-azul de jiu-jitsu, ele treina há mais de três anos em Itaguaí e já participou de três campeonatos. Entre medalhas e graduações, porém, algumas das conquistas que mais emocionam quem acompanha sua trajetória acontecem longe do pódio, como conseguir ficar em pé e caminhar com apoio durante os treinamentos.

Guilherme tem paralisia cerebral tetraplégica espástica, condição neurológica que compromete o controle dos movimentos e provoca aumento da rigidez muscular nos quatro membros. As limitações motoras fazem com que ele utilize cadeira de rodas, mas não o impediram de praticar jiu-jitsu de forma adaptada.

Ele é aluno do faixa-preta 6º grau André Seabra na turma de jiu-jitsu inclusivo do projeto social Itaguaí Ação Esporte Inclusão. Apoiada pela Prefeitura de Itaguaí, a iniciativa oferece atividades esportivas para pessoas com deficiência e adapta os exercícios às possibilidades de cada participante.

André Seabra é professor de Guilherme de Oliveira – Foto: Arquivo pessoal

Quando chegou ao projeto, Guilherme fez ao professor uma pergunta que ajudaria a definir os anos seguintes. Queria saber se poderia treinar e contou que tinha o sonho de andar.

“Ele perguntou se poderia treinar e que tinha o sonho de andar. Eu disse que sobre andar quem sabe é Deus, mas que eu iria fazer o possível para ele treinar igual a todo mundo. E graças a Deus ele está conosco e evoluiu bastante nesse período”, conta André Seabra.

A adaptação não significa apenas colocar Guilherme no tatame. Os movimentos precisam ser trabalhados de acordo com sua mobilidade, respeitando as limitações provocadas pela paralisia cerebral e, ao mesmo tempo, estimulando aquilo que ele consegue executar. Foi nesse processo que professor e aluno começaram a trabalhar também em pé.

“Coloco ele para andar apoiado. Iniciei segurando ele pela faixa, depois somente pela manga, e ele caminhando. Foi uma conquista muito grande”, afirma Seabra.

Parte dessa evolução pode ser vista em um vídeo que registra Guilherme no tatame ao lado do faixa-preta Jonathan “Pitbull”. Com síndrome de Down, Jonathan é uma das referências do jiu-jitsu inclusivo no Brasil e participa do exercício ajudando o companheiro a se movimentar.

A experiência de Guilherme também chegou às competições. Mesmo diante das dificuldades de locomoção, o faixa-azul já participou de três campeonatos. A presença nesses eventos faz parte de um processo construído gradualmente desde que ele começou a treinar, com exercícios adaptados e acompanhamento próximo do professor.

O trabalho desenvolvido com Guilherme é uma das histórias do Itaguaí Ação Esporte Inclusão. O projeto busca ampliar o acesso de pessoas com deficiência à atividade física e criar condições para que alunos com diferentes limitações possam participar das aulas, aprender técnicas e evoluir no esporte.

Atualmente, cerca de 45 alunos participam do projeto, divididos em duas turmas. As aulas de jiu-jitsu inclusivo acontecem às sextas-feiras, às 10h e às 14h, na Quadra da Monte Serrat, no bairro Monte Serrat. Informações sobre o projeto podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Turismo e Esporte, no Centro de Itaguaí.