Em busca da recuperação após revés para Logan Storley em sua última apresentação, Neiman Gracie retorna ao cage do Bellator nesta sexta-feira para enfrentar o compatriota e também especialista em jiu-jitsu Goiti Yamauchi. Treinador do Gracie, Rafael Cordeiro falou sobre a evolução de seu atleta em recente participação no CONEXÃO PVT e de como a luta de cinco rounds contra Storley foi importante nesse processo.
O PAPO DE LUTA desta semana homenageou a lenda Leandro Lo, que infelizmente foi assinado no último domingo; trouxe os comentários sobre a noite de derrotas do Brasil no UFC do último sábado, com Mayra Sheetara sendo a única tupiniquim a vencer; e analisou as principais lutas do UFC, Bellator e PFL que acontecem nesta semana.
Taila no Contender Series, que o levou para o UFC (Foto: UFC)
Por Alan Oliveira
Taila no Contender Series, que o levou para o UFC (Foto: UFC)
Nesta segunda, o site “O Município de Blumenau” divulgou que Taila Santos teria aplicado golpes em seus treinadores, em pelo menos três deles. Segundo a matéria, a lutadora do UFC teria contratado treinadores e não os pagou, e um dos lesados teria sido Patrício Farias, 37, cunhado de Taila, que acusa o próprio irmão, Pedro Farias, de participar das ações.
“O golpe é sempre o mesmo e no fim a culpa é dos dois. Um tem a ideia e o outro aprova. Eles firmam parceria com você, treinam por um tempo e depois saem, mas não pagam nada. Só nesta brincadeira eu já estou com R$ 15 mil em dívidas”, disse o treinador ao site: “Foi assim comigo e com outros dois professores dela. Pedro montava as equipes, prometia pagamentos e contratos, porém, do nada, se irritava e se intrometia nos treinos. Após criar intriga, ele mandava os profissionais embora, mas nunca pagava pelo serviço que foram prestados”, que garante ter como provar que foi contratado pelo marido de Taila e pela atleta para trabalhar o jiu-jitsu desta.
Ainda segundo a matéria, os “outros dois professores” seriam Marcelo Brigadeiro, da Astra Fight, e Marcio Malko, da Thai Brasil Floripa, que ajudou a atleta a disputar o cinturão contra Valentina Shevchenko em junho deste ano, quando acabou sendo derrotada por decisão dos juízes. Ouvida pelo PVT, Taila se mostrou revoltada com o assunto, mas se defendeu.
“Se você quer fazer matéria de fofoca, eu nem tenho o que dizer. Mas posso falar que Patricio tem treta com o irmão dele, e está me usando. Ele fez uns trabalhos aqui pra gente, mas nada de luta. Pintou os muros quando estávamos em obra. Pagamos, mas ele sempre queria mais dinheiro, e não estamos aqui para sustentá-lo”, contou a 2ª colocada no ranking dos moscas, falando também dos outros treinadores citados.
“E eu saí da Astra Fight porque eu não estava evoluindo como atleta. Brigadeiro é um ótimo profissional, mas um lixo como pessoa. Não coloca luta para seus atletas, e quer que os lutadores ‘se fodam’, palavras dele”, disparou a peso mosca, que admite dívida com Malko.
“Já da Thai Brasil, saí porque queria caminhar com minhas próprias pernas. Sou mãe, tenho filho pra criar, cuido da minha mãe e de um irmão pequeno. Malko pegava toda minha bolsa para ele, pegou até parte do meu bônus, que o próprio UFC disse que é 100% do atleta. Quero pagar a ele, mas ele tem que devolver a parte do bônus que ele pegou”, finalizou Taila.
O PVT entrou em contato com Malko, que nos enviou nota: “O que posso dizer é que a Taila veio até mim quando ocupava o 12º lugar na categoria do peso-mosca feminino, estava desmotivada e pedindo para que eu comandasse os treinamentos dela. Montamos um plano de carreira no qual prometi que em quatro lutas ou em até dois anos chegaríamos na disputa de cinturão.
Após duas lutas sob os meus comandos (12 meses no total), Taila já estava no octógono disputando o cinturão de melhor lutadora do peso-mosca feminino do mundo. Ainda que tenha perdido por decisão dividida, hoje ela ocupa o 2º lugar no ranking.
Trabalhamos assiduamente nos treinamentos da Taila, dia e noite, dentro e fora da academia, analisando cada detalhe, erros e acertos dela e de sua adversária.
Ocorre que até hoje não recebi os valores acordados pelo serviço já prestado. Tudo o que ela fez após a luta foi me enviar uma carta admitindo o quanto me deve, mas que não iria honrar com sua parte do acordo.”
Ao PVT, Marcelo Brigadeiro também falou sobre a polêmica: “Fiz a carreira da Taila, ela morou na minha casa, eu a chamava de filha. Ela não teve uma atitude digna. Nem posso falar muito porque, pela primeira vez em mais de vinte anos de carreira, tive que entrar na justiça contra atleta. Mas deixo a pergunta: será que só ela está certa e todo mundo está errado?”, questionou o líder da Astra Fight.
Também ouvido pelo PVT, Gilliard Paraná, treinador da PRVT e sócio de Malko, afirmou que os atletas geralmente são vistos como vítimas, e valorizou o trabalho dos treinadores e empresários.
“De cada 50 atletas que pegamos, 45 dão prejuízo. Como técnico, você pelo menos cria vínculo com o lutador, mas como empresário, você só tem retorno com 10% dos atletas da academia, sendo otimista. Então quando você vê um atleta saindo da academia, ou mudando de empresário, você não vê o quanto aquele empresário fez para o atleta no início da carreira. Os lutadores são vistos como vítimas, e os empresários e treinadores são exploradores”, lamenta Paraná, elogiando outros lutadores, como Jessica Andrade, umas da maiores representante de sua equipe.
“Por isso amo tanto a Jessica, sou fã de Jose Aldo, Marina Rodriguez, Pedro Rizzo, e outros, que estão com seus treinadores desde o início de suas carreiras. Quando você estava começando, seu treinador e seu empresário olharam por você, então é bom ver quem valoriza isso”, concluiu Gilliard.
A atleta e os treinadores são partes de processo que segue na justiça.
Neste domingo, aconteceu no Texas o Who’s Number One (WNO), aguardado evento de grappling. Na luta principal, sem limite de tempo, Gordon Ryan se vingou de Felipe Preguiça, que o havia vencido duas vezes. O brasileiro desistiu verbalmente da luta, aos 44 minutos. Após o combate, Preguiça, amigo de Leandro Lo, assassinado neste domingo, tomou o microfone e criticou a postura do adversário, que segundo ele não permitiu qualquer alteração nas regras do evento.
“Só quero dizer uma coisa para todos vocês que estão batendo palmas para esse cara aqui: ele é um cara muito bom no tatame, mas ele não tem coração. Hoje um dos meus melhores amigos morreu. Morreu! E eu disse a FloGrappling que eu não estava me sentindo bem para lutar. Eu não quero lutar mais. Eles me falaram para lutar, mas iam pedir ao Gordon Ryan para colocar 1h de luta. ‘Eu entendo como é, entendo como se sente, sei que não está preparado mentalmente para essa luta’. E o Gordon disse: ‘Não, eu não me importo. Essa luta vai acontecer. Eu realmente não ligo’. É só isso, galera. Obrigado e desculpa”, disse Felipe, sob vaias.
Outra das estrelas do evento, Mica Galvão finalizou Alan Sanchez com mata-leão. A lenda Bia Mesquita venceu Elisabeth Clay por decisão unânime dos jurados, mesma forma que Nicholas Meregali derrotou Rafael Lovato.
Abaixo, os resultados do WNO e vídeos de lutas da noite de grappling no Texas.
Who’s Number One Texas, nos Estados Unidos Domingo, 07 de agosto de 2022
Resultados:
Gordon Ryan venceu Felipe Preguiça por “desistência verbal”
Nicholas Meregali venceu Rafael Lovato Jr. por decisão unânime dos jurados
Mica Galvão finalizou Alan Sanchez com um mata-leão
Bia Mesquita venceu Elisabeth Clay por decisão unânime dos jurados
Jacob Couch venceu Jacob Rodriguez por decisão unânime dos jurados
Diogo Reis venceu Estevan Martinez por decisão unânime dos jurados
Fabricio Andrey venceu Fabian Ramirez por decisão unânime dos jurados
Atleta da American Top Team, Renato Moicano divide o tatame com uma verdadeira legião de lutadores do leste europeu que buscam nos EUA a evolução para seus jogos. Para o brasileiro, uma característica que pesa a favor deles é o fato de não terem vaidade para aprender.
O mundo do jiu-jitsu e da luta em geral amanheceu de luto neste domingo. Leandro Lô, lenda da arte suave, foi assassinado com um tiro na cabeça durante uma festa no Clube Sírio, em São Paulo, na madrugada deste sábado para domingo. O lutador foi levado a um hospital, mas não resistiu. Segundo informações da assessoria de imprensa da Polícia Militar de São Paulo, o autor do disparo foi o policial militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, que está foragido.
O Combate.com teve acesso ao Boletim de Ocorrência, registrado a 1:57h da madrugada de domingo: “Preliminarmente, trata-se de ocorrência envolvendo o multicampeão mundial de jiu-jítsu Leandro Ló Pereira do Nascimento e o policial Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo. Conforme relatam as testemunhas, o policial Henrique, após breve discussão, se dirigiu à mesa da vítima Leandro, pegando uma garrafa da mesa, em ato contínuo a vítima se levantou, tirou a garrafa da mão do autor e, em golpe de luta, o derrubou e imobilizou. Neste momento, colegas da vítima separaram ambos e pediram “para deixar isso quieto”. O autor, após se levantar, deu a volta na mesa e, de fronte a vítima, sacou sua arma e desferiu disparo, o qual atingiu a região frontal da cabeça da vítima (testa, lado esquerdo). Vítima encontra-se em estado gravíssimo no Hospital Municial Dr. Arthur Ribeiro de Saboya.”.
Faixa-preta de Cícero Costha, Lo foi um dos competidores de jiu-jitsu mais bem sucedidos de todos os tempos, vencendo oito Campeonatos Mundiais da IBJJF, cinco Copas do Mundo e oito Pan-Americanos. Faixa-preta desde 2012, Lo cruzou três gerações lutando em quatro categorias de peso (leve, médio, meio-pesado, pesado e absoluto). Curiosamente, dois adversários mais frequentes, Rodolfo Vieira (lutador peso médio do UFC) e Marcus Buchecha (lutador do ONE FC), se tornaram grandes amigos. Leandro tinha 33 anos, e sua morte comoveu o mundo da luta. Veja abaixo reações como a de Felipe Preguiça, Mica Galvão, Leo Vieira, Demian Maia, Mackenzie Dern, Davi Ramos, entre outros.
“Não tenho nada de ruim a dizer sobre Wallid. Ele é uma pessoa muito honesta e profissional, só tenho elogios pra ele. Não sou ingrato. Nós simplesmente não concordamos mais e não há nada de errado nisso. Tenho outra pessoa lidando com o UFC para mim. O nome dela é Tamara Alves e é uma pessoa em que eu confio muito. Ela é incrível quando o assunto é gestão de relacionamento, principalmente com o UFC”, anunciou Borrachinha.
Abaixo, o vídeo postado no canal do lutador no Youtube.
Já diz o ditado: cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça. Depois do polêmico caso da balança no UFC 274, no Arizona, Diego Lima revelou ao PVT uma nova tática adotada por sua equipe para evitar novas surpresas desagradáveis, que é simplesmente filmar todas as tomadas de peso de seus atletas na véspera e no dia da pesagem oficial.
Já diz o ditado: cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça. Depois do polêmico caso da balança no UFC 274, no Arizona, Diego Lima revelou ao PVT uma nova tática adotada por sua equipe para evitar novas surpresas desagradáveis, que é simplesmente filmar todas as tomadas de peso de seus atletas na véspera e no dia da pesagem oficial.
Paulo Borrachinha e Wallid Ismail não trabalham mais juntos. Segundo apurou o PVT, o proprietário do Jungle Fight não é mais empresário do lutador, que enfrenta Luke Rockhold no UFC 278, dia 20 de agosto. A relação entre Wallid e Borrachinha já vinha dando sinais de desgaste desde a luta contra Marvin Vettori em outubro de 2021, quando o atleta apareceu na pesagem com 93kg obrigando Wallid a renegociar a luta na divisão de cima a 24h do combate.
Em live ao PVT, Wallid deixou claro seu descontentamento com Borrachinha após saber, por Marcelo Alonso, que ele havia feito um post criticando Dana White. “Tá errado! Vou conversar com ele. Não se morde a mão que te alimenta”, disse o empresário visivelmente contrariado na live.
No dia 7 de junho Deiveson Figueiredo também havia tornado pública sua saída da Warriors Management, passando a ser agenciado por Urijah Faber. Por enquanto, segundo apurou o PVT, Paulo Costa segue sem empresário.