Professor de filial da Soul Fighter destaca importância do ensino individualizado

Faixa-preta se desdobra entre professor e atleta - Foto: Arquvo Pessoal
Faixa-preta se desdobra entre professor e atleta – Foto: Arquvo Pessoal

Atleta da Soul Fighters, o lutador Hugo Mayer atualmente é um dos professores da filial da equipe denominada “Evidence”, situada no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Aos 31 anos, o carioca ainda acumula a função de atleta e compete em diversos torneios Brasil afora. Junto com o também faixa-preta Vinicius Paiva, ele falou sobre a função de liderar a academia e o método de ensino da arte suave para seus alunos e alunas.

“Lá foi onde comecei a treinar. É muito gratificante poder estar lá como um líder, dando continuidade a um trabalho tão bem feito pelo Tank. Tento prestar atenção em cada aluno para poder adaptar ou ajustar alguma posição dependendo do tipo de jogo, biotipo ou outra característica que faça diferença nos treinos. Não tem como uma mesma posição funcionar exatamente da mesma forma com todo o tipo de gente, cada detalhe é muito importante.”

Hugo Mayer é o responsável por afiar o jogo de diversas promessas do Jiu-Jitsu carioca. Dentre os principais destaques estão Thierno e Guilherme, faixa-azul e laranja, respectivamente. O primeiro vem evoluindo muito rápido, demonstrando muita raça nos treinos, já o segundo, “não sossega no tatame”, segundo o treinador. Além dos pupilos já citados, Patricia Marca, namorada do faixa-preta também vem fazendo sucesso conquistando medalhas pelas competições onde passa pelo país.

“Ela já lutava judô desde novinha e chegou a ganhar dos meninos quando ela não tinha luta feminina. Foi quando recebeu o apelido de Paty ‘Trator’ (risos). Ela já nasceu com o espírito de guerreira e trouxe isso para o Jiu-Jitsu. Tem muito talento, está sempre no pódio e virou referência no time de faixa azul da equipe. Já o Thierno e o Guilherme fazem pela diversão, mas é inegável o talento deles. Pode ser que se destaquem quando estiverem mais velhos. A Patrícia é atleta e leva a sério o esporte. Qualquer um deles pode dar o que falar se chegarem à faixa preta”, analisou.

Em algumas competições, Hugo Mayer não apenas compete, mas também soma a função de treinador orientando seus comandados em seus duelos nos tatames. Ao ser questionado se o sentimento de ver algum pupilo medalhando é o mesmo quanto se fosse o próprio conquistando um título, ele revelou uma certa semelhança.

“São sensações parecidas. Ver um pupilo medalhando é muito gratificante. Sei que não é só um trabalho meu, mas de toda a turma e principalmente dele ao se dedicar aos treinos e ir lá sair na porrada. Tenho uma dificuldade maior para poder me dedicar aos treinos por conta do meu trabalho como contador e do compromisso com as aulas. Muitas vezes não consigo treinar por estar excessivamente cansado ou focar no campeonato por ter alunos lutando. Eu vejo minhas medalhas como superação pessoal.”

Disciplina e respeito são alguns dos fundamentos ensinados aos praticantes da arte suave desde cedo. Lutadores de MMA consagrados que são oriundos do Jiu-Jitsu são exemplo disso, já que preferem não optar pelo Trash Talking para promover suas lutas, deixando que apenas as suas habilidades sirvam como maneira de mostrar o seu potencial no octógono.

Além da defesa pessoal, a modalidade já mostrou que pode ser mais que uma maneira de começar a praticar uma atividade física, ajudando jovens a se desenvolverem em áreas que vão muito além do âmbito esportivo.

“O Jiu-Jitsu é uma ferramenta que ajuda a desenvolver habilidades, passar valores, na formação de caráter, disciplina, e ensina que se deve respeitar a todos. Quando eu estava em St. Maarten dando aula na academia do Renzo, tive alunos com necessidades especiais e alunos que tinham problema de comportamento na escola. Era maravilhoso lidar com os alunos com necessidades especiais. Ver o que pode ser desenvolvido com eles é incrível e realmente mostra que somos capazes de tudo, desde que a gente queira fazer aquilo. O senso de comunidade e companheirismo deles é sensacional. Já com as crianças com problemas comportamentais percebi que cada uma tinha um motivo para ser ‘rebelde’, mas consegui fazer com que eles percebessem que todos somos iguais e podemos crescer juntos se ajudando. Ensinar esses dois perfis de alunos foi uma das coisas que mais me impressionou no mundo do Jiu-Jitsu”, destacou Hugo em sua experiência fora do país.