Relembre momentos do mestre Robson Gracie, falecido nesta sexta

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Morreu na noite de sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, o mestre nono grau Robson Gracie, aos 88 anos. Segundo filho dos 21 do patriarca da família, Carlos Gracie, Robson nasceu em 1935. Nos anos 1950, seguiu os passos do tio Hélio Gracie e do irmão Carlson e estreou no Vale-Tudo, com vitória sobre Artur Emídio. Mais tarde empataria com Valdo Santana, irmão de Valdemar Santana, numa batalha onde pode mostrar o tamanho de sua valentia. “Eu estava muito machucado então o meu pai cogitou parar a luta no intervalo e eu disse: se parar a luta eu vou abaixar o short e urinar no meio do ringue”. A luta continuou e a valentia de Robson foi coroada com o empate.

Robson treinando Vale tudo sob a orientação do pai, Carlos Gracie (Foto: arquivo pessoal)

Pai de Charles, Flavia, Renzo, Ralph, Ryan (falecido em 2007), Keila e Robson Jr, Robson também teve envolvimento na política. Sua notoriedade no jiu-jítsu o levou a ser contratado como guarda-costas de Leonel Brizola, à época deputado federal do estado da Guanabara e cunhado do então presidente João Goulart. Após o golpe militar de 1964, foi preso por 64 dias e torturado, até ser liberado por intervenção de seu tio Hélio. “Fui amarrado em casa com a faixa amarela do meu filho Renzo, Fui torturado e vi coisas impensáveis. Hélio Gracie foi quem interveio com Figueiredo e o General Sylvio Frota. Dos 50 que estavam presos comigo, 49 morreram”.

Mais tarde, na década de 1980, durante o primeiro mandato de Brizola como governador do Rio de Janeiro, Robson assumiu a presidência da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (SUDERJ). Neste período, promoveu o retorno dos eventos de Vale-Tudo ao estado, incluindo a lendária revanche entre Rickson Gracie e Rei Zulu no Maracanãzinho e o histórico confronto entre Muay Thai e Jiu-Jitsu em 1984, onde estrearam Marco Ruas, Fernando Pinduka, Eugênio Tadeu, Marcelo Behring e Flávio Molina. Na mesma década, assumiu a presidência da Federação de Jiu-Jítsu do Rio de Janeiro (FJJ-Rio).

Em 2019 Robson Gracie se emocionou na cerimonia de inauguração da estátua do seu irmão mais velho e maior ídolo, Carlson Gracie, próxima a sua academia em Copacabana.

Quatro anos antes, porém, o mestre disse ser contrário ao projeto que visava colocar estátuas dos patriarcas juntos. “Estavam querendo colocar a estátua de Carlos e Hélio no metrô. Estátua em metrô é para enxotados e desvalidos, rapaz ! Carlos e Hélio foram heróis nacionais que impactaram a vida de milhares de pessoas no mundo todo. Se quiserem fazer uma homenagem para eles tem que ser na frente da praia ou em algum lugar a altura do que estes dois representaram para o nosso país”.

E esta foi apenas uma das centenas de frases antológicas que o mestre Robson costumava cunhar enaltecendo a importância dos feitos de seus familiares e do Jiu-Jitsu: “Recuar nem para pegar impulso”, “Não se admitia frouxo lá em casa”, “demos porrada no mundo” , “Nossa família é feita de heróis. Que prazer eu sinto de ser um Gracie”.

O velório do mestre será no dia 30 de abril no Palácio da Cidade, entre 10hs e 14hs. Kimono branco é traje opcional.

Abaixo, dois vídeos do nosso canal do Youtube com declarações do mestre.