Renato Moicano mira sequência no peso leve: ‘Sinto que vou chegar ao topo da divisão’

Moicano subiu para os leves – Foto: Gleidson Venga

Após duas derrotas consecutivas no peso-pena, para José Aldo e Chan Sung Jung (Zumbi Coreano), respectivamente, Renato Moicano tomou a decisão de subir para a divisão dos leves e, logo em sua primeira luta na categoria até 70kg, em março, no UFC Brasília, teve uma atuação de gala e finalizou Damir Hadzovic com um mata-leão em apenas 44 segundos de combate. Enquanto aguarda os próximos passos de sua carreira, o brasileiro mostra empolgação quando o assunto é o seu futuro na organização.

Moicano não escondeu que o corte de peso para lutar no peso-pena estava cada vez mais difícil. Agora, entre os leves, o atleta da American Top Team espera embalar de vez e, confiante de que pode chegar ao topo da divisão, já pensa nos próximos adversários, incluindo Al Iaquinta, atual décimo colocado no ranking da categoria, que vem de duas derrotas consecutivas, para Donald Cerrone e Dan Hooker, respectivamente.

“Eu venho pedindo para lutar, mas até agora, o UFC não me respondeu em relação a isso. Imagino que estejam tendo alguma dificuldade de casar lutas. Mas, tenho vários adversários que gostaria de enfrentar… Tem o Paul Felder, que eu pedi depois da minha última luta, mas é um duelo que eu não vejo acontecendo. Eu gostaria também de enfrentar o Al Iaquinta. Acho que eu finalizaria ele, seria uma grande luta e eu entraria com o ‘pé na porta’ na divisão dos leves. Estreei muito bem, finalizei um adversário que nunca tinha sido finalizado, mostrei que essa é minha categoria e eu quero lutar com os melhores, quero chegar no topo da categoria”, projetou o casca-grossa.

Confira a entrevista na íntegra com Renato Moicano: 

– Como foram esses meses para você em meio à pandemia?

Minha luta aconteceu em março (no UFC Brasília), bem no começo (da pandemia), já aconteceu de portas fechadas. Ganhei minha luta e voltei para os EUA. Quando cheguei aqui, não estava preocupado com luta e nem nada, meu filho tinha acabado de nascer e eu aproveitei esse tempo de pandemia para poder aproveitar bastante ele, porque no mês que ele nasceu (fevereiro), eu estava treinando para a luta. Tiveram diversas dificuldades para essa luta, principalmente relacionadas a isso. Como só estamos minha esposa e eu aqui nos EUA, foi bem difícil, a gente passou por alguns momentos complicados, e esses momentos me fizeram pensar em várias coisas. Depois que você se torna pai, você começa a pensar diferente. Quando se é jovem, adolescente, você faz muita besteira, muita m***, e a partir do momento que você tem um filho, você quer oferecer o melhor a ele. Eu foquei muito no que posso evoluir como pessoa nesses últimos meses e acho que isso pode me ajudar muito na carreira como lutador para definir meus próximos passos.

– Como estão os treinos e o dia a dia na American Top Team?

Na American Top Team, a gente voltou às atividades, mas como alguns atletas contraíram o vírus, tiveram lutas canceladas, alguns treinadores também (testaram positivo), mas graças a Deus, está tudo bem. Fica difícil saber o que fazer para estar protegido, porque eu acho que politizaram muito a questão do coronavírus, principalmente no Brasil e nos EUA. No começo, falavam para a gente não usar máscara, então quando eu vim do Brasil para os EUA, eu não usei máscara, porque a OMS (Organização Mundial da Saúde) tinha dito que não era para usar, e como a gente pensa que é um órgão sério, eu não usei. Mas logo depois, a OMS voltou atrás e disse que era para usar a máscara. Politizaram muito esse tema. É necessário usar a máscara, o álcool em gel, evitar o contato com outras pessoas, manter o distanciamento, mas no treino é muito difícil, porque a gente vai ter que treinar com outros atletas. Então, algumas das medidas que estão tomando é deixar treinando atletas que estão testados. Segunda, os caras vêm, testam todo mundo, e atletas que testam positivo, já saem, não tem mais contato com ninguém. Todos que testaram positivo, tiveram sintomas e já pararam de ir. Quando chegamos na academia, verificam nossa temperatura e estamos treinando apenas em pequenos grupos, tomando todos os cuidados possíveis.

– Retorno do UFC e pedido por luta 

O UFC voltou com tudo, com a Ilha da Luta e os cards em Las Vegas. Eu venho pedindo para lutar, mas até agora, o UFC não me respondeu em relação a isso. Imagino que estejam tendo alguma dificuldade de casar lutas, pelo fato de eu ter sido um atleta ranqueado (no peso-pena), saído do ranking por eu ter mudado de categoria. Mas, tenho vários adversários que gostaria de enfrentar… Tem o Paul Felder, que eu pedi depois da minha última luta, mas é um duelo que eu não vejo acontecendo. Eu gostaria também de enfrentar o Al Iaquinta. Acho que eu finalizaria ele, seria uma grande luta e eu entraria com o ‘pé na porta’ na divisão dos leves. Estreei muito bem, finalizei um adversário que nunca tinha sido finalizado, mostrei que essa é minha categoria e eu quero lutar com os melhores, quero chegar no topo da categoria.

– Estreia na divisão dos leves com finalização em 44 segundos 

A minha estreia não foi perfeita. Ela teria sido perfeita se eu lutasse com um adversário ranqueado, que era o que eu merecia, e eu falei isso para o UFC. Eles me colocaram contra um cara duro, um cara que eu respeito, mas eu finalizei ele em 44 segundos, mostrando justamente para o que eu vim nessa categoria. Eu vim para finalizar os caras, mostrar um jogo completo, ir para cima, lutar bem em todas as áreas.

– Pretende retornar para o peso-pena em algum momento?

No momento, eu não penso em retornar para o peso-pena. Eu fiz uma boa carreira lá, cheguei a ser o quarto melhor da divisão, mas infelizmente tive alguns problemas. Mas acredito que nos leves eu serei o melhor, tenho plena convicção disso, acredito no meu potencial e vim para lutar com os top’s, vim para fazer barulho nessa divisão. O corte de peso (nos penas) estava influenciando, sim, nas minhas performances, então acredito que essa subida de categoria foi a melhor coisa que fiz na minha carreira.

– Aprendizados em derrotas para José Aldo e Chan Sung Jung (Zumbi Coreano)

A derrota é um grande aprendizado, mas na luta contra o Zumbi Coreano foi quando eu vi que precisava subir de categoria, pelo fato de eu ter sofrido bastante no corte de peso e, no dia da luta, eu não estava me sentindo rápido. Eu estava me sentindo lento, cansado, o corte de peso influenciou muito nessa luta. Contra o José Aldo, a verdade é que perdi para mim mesmo. Não querendo desmerecer o cara, que é uma lenda, mas eu respeitei muito ele e deveria ter lutado de outra forma. Mas foram grandes aprendizados para a minha carreira. Essas duas derrotas de ‘ontem’ vão me fazer ser o campeão de ‘amanhã’. E eles são os dois caras que eu mais vou agradecer. Na verdade, os três, até o Brian Ortega, que também me finalizou. Em cada derrota dessa, eu aprendi mais que na vida inteira. Eu vou ser o melhor do mundo, podem ter certeza.

– Como você analisa sua evolução desde que chegou ao UFC

Eu sinto que preciso lutar mais, estar mais ativo. Logo que entrei no UFC, eu fiz uma luta muito boa. Na minha segunda luta, eu já lutei contra um russo (Zubaira Tukhugov) que vinha com um ‘hype’ e depois eu venci o Jeremy Stephens, que era um cara ranqueado e também venci. Depois disso, praticamente todas as minhas lutas foram contra adversários ranqueados. Eu venci o Cub Swanson, venci o Calvin Kattar, dominando a luta em pé. Eu tive que me adaptar muito rápido aos melhores da categoria e ganhei muita experiência com isso. Estou muito bem adaptado e, agora, sem um corte de peso tão grande e minhas habilidades, eu me sinto muito completo. Sinto que tudo o que passei me transformou. Estou me sentindo muito confiante e muito bem. Eu sinto que vou ser o melhor do mundo e estou aqui para provar isso, todo mundo vai ver.

– Quem você gostaria de enfrentar no peso-pena e não teve oportunidade?

Uma luta que sempre sonhei em fazer no peso-pena foi contra o Max Holloway, que na minha opinião, foi ‘garfado’ nessa última luta contra o Alexander Volkanovski. Espero que em breve ele suba para a divisão dos leves e, quem sabe, a gente consiga se enfrentar. Seria uma honra e uma grande luta para os fãs de MMA.