Campeão do Jungle Fight relembra dificuldades e quase desistência do MMA: ‘Mas o esporte era a única saída’

Wilker Feijão vai defender o cinturão meio-médio - Foto: Leonardo Fabri
Wilker Feijão é o novo campeão meio-médio do Jungle Fight – Foto: Leonardo Fabri

Novo campeão meio-médio do Jungle Fight, Willker “Feijão” Lemos sabe da importância de ter um título de um dos mais tradicionais eventos do mundo em sua posse. Com 28 anos e um cartel de oito vitórias e apenas uma derrota, o carioca tem uma sequência promissora pela frente e, aos poucos, quer construir uma trajetória vitoriosa no esporte.

No entanto, assim como ocorre com a grande maioria dos lutadores brasileiros, Willker precisou superar inúmeras adversidades ao longo de sua caminhada. O atleta, que iniciou nas artes marciais através da Luta-Livre, chegou a pensar em desistir do MMA após um problema envolvendo sua mãe.

“Minha mãe ficou de cadeira de rodas, então eu e meus irmãos tivemos que terminar uma construção que tinha nos fundos do quintal, aí deu uma complicada… Tive que trabalhar além do horário que eu já trabalhava para poder terminar a obra e pagar uma pessoa para ficar com ela. Foi quando eu pensei em abandonar o esporte, mas logo percebi que se eu quisesse mudar minha realidade e dar uma condição melhor para minha família, o esporte era a única porta”, relembrou o carioca, que deverá defender seu título meio-médio no Jungle Fight no DAZN 100, em dezembro.

Confira a entrevista com Willker Feijão na íntegra:

– Cinturão conquistado no Jungle Fight

Foi uma grande honra lutar nessa última edição do Jungle Fight. Fiquei muito feliz em poder colocar em prática minha estratégia, que foi desenvolvida junto com meus treinadores até eu conseguir chegar até a finalização. Fiquei muito feliz em poder conquistar o cinturão de um evento de ponta.

– Pretende defender seu título no Jungle Fight em breve?

Ainda não posso responder isso com propriedade (apesar da expectativa de defender o título em dezembro), mas estou treinando forte para qualquer que seja a oportunidade que possa surgir visando uma próxima luta. Tenho que estar pronto para qualquer obstáculo.

– Quais momentos mais marcantes que você lembra ao longo da carreira?

Eu tenho muitos momentos marcantes durante a minha trajetória no mundo da luta, mas um que marca bastante era quando eu tinha que pedalar em média 23km para ir e depois mais 23km para voltar do treino, que era em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Isso me marcou muito, me fez repensar, mas também me fez entender uma parte do verdadeiro motivo que eu precisava para entrar no octógono.

– Como iniciou sua trajetória nas artes marciais?

Então, foi através do meu irmão, John Loi, que me levou para a Luta-Livre na minha primeira equipe (Gladiadores, do mestre Leandro). Foi daí, então, em 2010, que engrenei no esporte. Com o passar  do tempo, conheci o MMA através de um grande amigo (Maurício Reis), e então começou essa jornada dura, árdua, mas gratificante, que dura até hoje. Vamos em busca de mais conquistas, sem dúvida.

– Ao longo de sua vida, qual foi o momento de principal dificuldade?

Foi a doença da minha mãe, sem dúvida alguma. Quando minha mãezinha teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral), mudou toda minha rotina. Minha mãe ficou de cadeira de rodas, então eu e meus irmãos tivemos que terminar uma construção que tinha nos fundos do quintal, aí deu uma complicada… Tive que trabalhar além do horário que eu já trabalhava para poder terminar a obra e pagar uma pessoa para ficar com ela. Foi quando eu pensei em abandonar o esporte, mas logo percebi que se eu quisesse mudar minha realidade e dar uma condição melhor para minha família, o esporte era a única porta. Logo percebi que o esporte fazia parte de mim e, mesmo diante de todas as dificuldades, segui em frente e hoje vejo que valeu a pena.