Fusion Fight: conheça a história da equipe que uniu Chute Boxe e Gracie Barra, no Rio

Equipe é formada por dois atletas - Foto: Leonardo Fabri

https://youtu.be/M2n_r1YQWEM

Num passado não muito distante, uma união entre Chute Boxe e Gracie Barra era algo inimaginável, dado o nível de animosidade entre os representantes do Muay Thai curitibano e do Jiu-Jitsu carioca, principalmente no auge do Pride. Porém, recentemente, esta união se tornou realidade, e no Rio de Janeiro.

Airton Nogoceke, grau preto da Chute Boxe, e Guilherme Iunes, faixa-preta da Gracie Barra, se uniram a Sergio Dias e, juntos, fundaram a Fusion Fight, equipe que tem em seu DNA tanto a trocação agressiva do time curitibano quando a arte suave do tradicional time carioca. Como não poderia deixar de ser, a parceria entre eles surgiu de uma rivalidade nos tatames, como conta Iunes.

“Fui treinar Jiu-Jitsu com ele na academia do meu primo e dei aquele aperto. No dia seguinte, a gente tinha treino de Muay Thai e Jiu-Jitsu, aí apareceu o Airton. Meu primo não falou nada e disse para eu ir treinar com ele. Eu estava afiado, treinando bastante Muay Thai, fui treinar e o Airton me espancou no treino. Pensei: não é possível esse maluco ter me acertado tanta joelhada, tanto chute… alguma coisa deve estar errada. No dia seguinte voltei na academia do meu primo e peguei ele no chão. Só que no outro dia a gente tinha Muay Thai novamente, chegou no treino e o cara me deu aquele aperto. Foi aí que meu primo falou que a fera era preta de Muay Thai da Chute Boxe (risos)”, relembra.

“Assim a gente foi treinando. Eu dava uma salgada nele no Jiu-Jitsu e ele me salgava no Muay Thai. Teve uma hora que nós dois sentamos para conversar e falamos: ou um vai morrer ou os dois vão ficar muito duro (risos). Com isso a gente foi criando uma amizade forte.”

Nogoceke e Iunes lideram os treinamentos de Blackout e Blade – Foto: Leonardo Fabri

Só a união entre essas duas tradicionais instituições faz com que a Fusion Fight tenha uma história interessante. Mas a equipe ainda tem outro diferencial que vale a pena ser destacado: o fato do time ter apenas dois atletas em seu plantel, uma aposta dos sócios para potencializar a evolução dos lutadores, que são verdadeiros funcionários, já que possuem benefícios e salários. Quando necessário, sparrings específicos são contratados para auxiliar nos camps das lutas.

“A gente fez a opção de não ter um time grande, porque isso demanda muita coisa, muitos horários. Com uma equipe reduzida a gente consegue fazer um trabalho legal. Eu costumo falar que a gente tem mais professores do que atletas. A gente tem treinador específico de Boxe, que é o Erivan Conceição; de Wrestling, o Wilgner; de Jiu-Jitsu, o Guilherme; eu na parte de Muay Thai, Kickboxing e preparação física”, explica Nogoceke.

“E a gente tem apenas dois atletas. Mas os dois têm atenção diferenciada, a gente proporciona toda a estrutura de um time grande, como psicólogo, nutricionista, plano de saúde, salario… E eles também são cobrados de forma diferenciada, não tem aquele negócio de ‘ah! Não estou afim, não vou treinar’. Não! Os caras têm que cumprir todos os horários e obrigações.”

Os dois atletas são o peso-mosca Charles Blackout, 31 anos, e o peso-galo Caionã Blade, 23. Curiosamente, Blade chegou à equipe a convite de Blackout após os dois se enfrentarem, no final de 2017. Na ocasião, Blackout levou a melhor via decisão unânime numa das lutas que ele mesmo classifica como uma das mais difíceis de sua carreira.

A Fusion Fight fica localizada na Estrada dos Bandeirantes, 7967, loja 131, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro.