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Glover: “Quem diria que o imigrante deportado um dia tomaria café com Donald Trump?”

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Glover Trump

Glover Teixeira participou do Conexão PVT na semana passada e, entre os assuntos abordados, falou sobre sua biografia “Breaking the Rules”, que será lançada em novembro nos EUA. Escrita pelo jornalista Guilherme Cruz, a obra vai abordar toda a trajetória do ex-campeão do UFC.

45 DIAS ATÉ A FRONTEIRA

A saga de Glover começa em 1999, aos 19 anos, quando, sem perspectiva na pequena Sobrália, no interior de Minas Gerais, repetiu a trajetória de centenas de outros jovens de sua cidade que buscavam o sonho americano. Com a ajuda de coiotes mexicanos, fez uma travessia de cerca de 45 dias, passando pela Colômbia, Guatemala e México. Ficou oito dias em Tijuana esperando a neblina cobrir o deserto e cruzou a pé, de madrugada, até San Diego. Depois foi para Danbury, Connecticut, onde passou a trabalhar na construção civil e no paisagismo. Em 2001, Teixeira começou a treinar na academia de Chuck Liddell e logo passou a ser um de seus principais sparrings, estreando em fevereiro de 2002 (PFC, na Califórnia). No mesmo ano, Glover se apaixonou pela americana Ingrid Peterson e se casou.

Após a derrota na estreia, o brasileiro passou a treinar mais e venceu sete de oito lutas. Mas, quando já entrava no radar do UFC, com o empurrão do amigo Liddell, sua documentação ilegal foi descoberta e ele foi deportado em 2007. Proibido de voltar aos EUA e longe da esposa, Glover ficou no Brasil por quatro anos, lutando em eventos pequenos e aguardando o “waiver” (perdão do governo americano). Nesse intervalo, emendou dez vitórias seguidas no Brasil.

Glover Trump

CARTA MUDA A HISTÓRIA

Angustiada com a separação forçada e sem perspectiva de ter o marido de volta, Ingrid resolveu escrever uma carta ao então deputado Chris Murphy, que se sensibilizou com o relato da cidadã americana. O casal já havia gasto cerca de US$ 8.500 com advogados, sem sucesso, ao longo de quatro anos. O relato emocionado de Ingrid — que contou ter chorado muito enquanto escrevia a carta — comoveu o político, que conseguiu agilizar o processo. No dia 23 de dezembro de 2011, aniversário da própria Ingrid, Glover recebeu o perdão e seu green card, estreando no octógono em maio de 2012.

Nove anos e 21 lutas depois, Teixeira conquistaria o cinturão dos meio-pesados do maior evento do mundo, aos 42 anos. Depois de se aposentar, aos 43, Glover passou a treinar Alex Poatan e teve participação direta na conquista do compatriota nos cinturões do UFC em duas divisões (médios e meio-pesados). E foi como head coach de Poatan que, três anos após sua aposentadoria, o imigrante brasileiro outrora deportado teve a chance de fechar o arco narrativo de sua história no Salão Oval da Casa Branca, tirando uma foto com Donald Trump.

“Quem diria que o imigrante deportado um dia conquistaria o cinturão do UFC e ainda tomaria um café com Donald Trump?”, disse Glover no Conexão PVT. Glover traz estas e muitas outras histórias curiosas de sua trajetória em “Breaking the Rules”, cuja versão em inglês será lançada no dia 8 de dezembro nos EUA e já está disponível para encomendas (pre-order) na Amazon e na Barnes & Noble. Segundo ele, a ideia é lançar a edição em português em 2027.

Quem sabe fazendo o lançamento na semana em que defenderá seu cinturão do Spaten Fight Night na 4ª edição do evento. “Estou aguardando o telefone tocar”, revelou Glover, que finalizou a entrevista deixando claro seu oponente preferencial caso os organizadores levem em conta as três possibilidades que vinham sendo aventadas pelos fãs (Junior Cigano, Vitor Belfort ou Gustafsson). “Qualquer uma destas lendas seria excelente, mas, se eu pudesse escolher, seria o Gustafsson. Primeiro porque já perdi para ele e seria uma revanche; segundo porque não dividiria a torcida brasileira.”