Convidado desta edição do CONEXÃO PVT, Francisco Massaranduba falou sobre a saída do UFC, mas rechaçou que isso signifique o fim de sua carreira. O piauiense planeja fazer pelo menos três lutas em 2023, seja MMA ou boxe – caso venha uma boa proposta. Aos 44 anos, ele se diz na melhor forma de sua vida e se vê batendo em muito garoto.
No próximo dia 21 de janeiro, Melquizael Costa fará sua estreia no UFC, organização ainda desejada pela maioria dos lutadores, apesar do crescimento de outras. O paraense de Porto de Móz foi chamado faltando poucos dias para o UFC 283, no Rio de Janeiro, onde enfrentará Thiago Moisés. Fã declarado do evento, “Melk” disse em entrevista ao PVT que “passou um filme” em sua cabeça quando soube da contratação. Uma das cenas de tal “filme” foi o início na luta, motivada pelo preconceito por possuir vitiligo (condição em que há despigmentação da pele na forma de manchas), e incentivada pelo irmão que morreu em acidente.
“As pessoas me evitavam na rua, se limpavam, tinham nojo, diziam que era hanseníase. Isso me entristecia, me irritava, e foi um dos motivos que me fez entrar para a luta. Meus pais não me apoiaram, só meu irmão. Quando ele morreu num acidente em 2013, foi um dos piores momentos da minha vida, mas decidi continuar por ele. Hoje, estou no maior evento no mundo, que sou viciado em assistir e vejo toda semana”, contou Melquizael.
Abaixo, confira a entrevista completa com o novo peso leve do UFC.
“Melk Cauthy” e a tatuagem em homenagem ao irmão (Foto: Instagram)
Como têm sido sua vida após o anúncio da estreia no UFC?
Muita alegria e correria! Estava nos EUA, acabei de lutar no LFA e estava treinando, na Ohana Academy, que tem parceria com a Chute Boxe Bauru, e voltei para o Brasil para treinar na minha equipe. Cheguei hoje (terça, dia 10), e vou treinar duro, como já vinha treinando. Estou muito feliz, claro que é um sonho estrear no UFC, sou fã do evento, assisto a todas edições que posso e é incrível poder estar nele.
Como recebeu a notícia?
Meus empresários, Joinha Guimarães e Ed Soares, tentaram me colocar no card depois que o adversário do Thiago (Guram Kutateladze) caiu. Aí me perguntaram se eu estava pronto, disse que estava, mas ainda não acreditava que poderia acontecer. Deu tudo certo e agora vou estrear. Passou um filme na minha cabeça quando me confirmaram o acerto.
Já estudou o adversário? Quais os pontos fortes dele?
O João Emílio (líder da Chute Boxe Bauru) e a equipe vão traçar a estratégia. Moisés tem um estilo legal de lutar, curto cara porradeiro, que vem pra cima. Ele tem chão muito bom, trocação boa também, então estou muito afim de sair na porrada com ele. Se ele estiver com a mesma vontade que eu estou, essa luta é de bônus.
Você disse que “passou um filme”. Que filme foi esse?
Nossa, tanta coisa… Seja mais específico, é um filme longo (risos)!
Imagino que tenho sofrido preconceito com vitiligo…
Sim, desde pequeno, aos 4 anos. Pessoas passavam perto de mim e se limpavam, confundiam vitiligo com hanseníase. Tinham nojo de mim. Eu não ficava sem camisa… Tudo isso mexeu muito com minha cabeça, ficava triste e com raiva. Aí comecei a me interessar por luta, até para me defender do “bullying”. Aos 13 anos, fui com uns amigos numa academia, em Porto de Móz mesmo, e brincamos de luta. Colocamos luvas, um amigo me deu soco e apaguei. Mas eu gostei de luta mesmo assim, tanto que aceitei o convite do meu amigo Eleson Carvalho para treinar jiu-jitsu uma vez. Queria continuar treinando, mas era de manhã, na hora da escola. Aí eu ia à tarde, mas era treino de MMA, dos profissionais. Eu insisti para treinar com eles e, quando deixaram, me moeram na porrada vários dias (risos). Mas viram que eu não iria desistir e acabaram me ensinando. Então não comecei numa arte específica, comecei direto no MMA.
Como você lida com vitiligo hoje?
De boa. Parei com os remédios, e me aceito como sou, que é o mais importante. Vejo o pessoal na internet zoando, falaram que sou um lutador muito café com leite, por exemplo. Ri muito! Hoje não consigo me imaginar sem vitiligo. Claro que nem todos aceitariam como aceito hoje, não é certo fazerem piada, mas o vitiligo foi importante para me fortalecer e para despertar meu interesse por luta.
De quem é essa tatuagem no seu peito?
Meu irmão, Natanael Lobato Conceição. Quando comecei a treinar, meus pais não gostaram, minha família não me apoiou, só meu irmão me apoiou. Hoje todos me apoioam. Passei fome em Porto de Móz e depois em Belém. Ia treinar sem me alimentar e desmaiava, então meu treinador, Sapão, quando descobriu que eu estava indo treinar sem comer, ficou muito abalado. Mas com todas dificuldades, meu irmão me dava força. Em 2013, meu irmão foi ajudar um rapaz a trocar um pneu, que estourou e ele morreu. Ele tinha 32 anos. Foi antes da minha estreia no MMA, ele não pôde ver, e me perguntaram se eu iria desistir, e decidi seguir em memória a ele. Fiz essa tatuagem e ele sempre estará no meu peito.
Como chegou na Chute Boxe Bauru?
O João Emílio mandou uma mensagem dizendo para eu ir para Bauru porque ele estava fazendo um projeto com lutadores do Norte e Nordeste. Fiquei desconfiado, tem muito golpe em gente que vai para lugares como São Paulo para buscar oportunidades, mas saí de Belém e fui. Foi a melhor coisa que fiz, o João entregou tudo que prometeu e até mais. Sou muito grato a ele, foi outro cara importantíssimo na minha história de vida, e agora ele tem dois lutadores no UFC, o outro é o Joanderson Tubarão. Ano passado, João me deu a preta de Muay Thai na Chute Boxe. Foi melhor que ganhar cinturão.
Por que o apelido cauthy?
É porque uma vez falei na academia que eu ia dar um “caute” no cara. Me zoaram dizendo que era “nocaute”. Aí a zoação pegou e virou apelido (risos).
O que os fãs podem esperar de você no UFC Rio?
Um cara super empolgado, que ama o que faz. Muitos atletas entram no cage querendo sair, mas eu curto estar lá dentro. A luta mudou minha vida, então podem esperar um cara animado e uma grande luta, talvez até luta de bônus.
UFC 283 Sábado, 21 de janeiro de 2023 Jeunesse Arena, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
CARD PRINCIPAL (0h, de Brasília): Cinturão interino dos meio-pesados: Glover Teixeira vs Jamahal Hill Unificação dos cinturões dos moscas: Deiveson Figueiredo (linear) vs Brandon Moreno (interino) Meio-médios: Gilbert Durinho vs Neil Magny Moscas: Jéssica Bate-Estaca vs Lauren Murphy Meio-pesados: Johnny Walker vs Paul Craig
CARD PRELIMINAR (20h, de Brasília): Meio-pesados: Mauricio Shogun vs Ihor Potieria Médios: Brad Tavares vs Gregory Robocop Leves: Thiago Moisés vs Melquizael Costa Pesados: Shamil Abdurakhimov vs Jailton Malhadinho Meio-médios: Gabriel Marretinha vs Mounir Lazzez Galos: Luan Lacerda vs Cody Stamann Leves: Ismael Marreta vs Terrance McKinney Meio-médios: Warlley Alves vs Nicolas Dalby Penas: Josiane Nunes vs Zarah Fairn Galos: Daniel Marcos vs Saimon Oliveira
Após fechar 2022 com vitórias sobre Michelle Waterson e Marina Rodriguez, Amanda Lemos aguarda o chamado do UFC para disputar o cinturão dos pesos-palhas contra a atual campeã, Weili Zhang.
Brasileira aguarda chamado do UFC para disputar cinturão (Foto: Zuffa)
“Estou esperando a Weili falar quando vai querer lutar”, destaca a brasileira. “Espero que ela marque logo a data e o local, e não que fique namorando o cinturão. Estou disposta a ir à China buscar o que é meu”, completa.
O foco da paraense é tanto que ela afirma que, mesmo sem uma definição a respeito da luta, já treina se preparando para a chinesa. Segundo Amanda Lemos, não há outro casamento pelo cinturão a se fazer na divisão.
“Nossa luta é tudo o que o público quer, tem tudo para ser eletrizante do início ao fim. Só treino pensando nela e sei que tenho as armas certas para ganhar, seja por nocaute ou finalização. O método vamos saber na hora”, projeta.
Aos 35 anos de idade, a ex-campeã do Jungle Fight possui um cartel de 13 vitórias em 16 lutas, oito delas por nocaute e três por finalização. A chinesa, dois anos mais nova, venceu 23 dos 26 duelos que fez, com 11 nocautes e oito finalizações.
Cesinha Almeida disputa o cinturão dos médios - Divulgação/Glory
A quinta edição do Rivals acontecerá dia 28 de janeiro, em Tulum (México). Já a edição 83 será realizada em 11 de fevereiro, na Alemanha. O brasileiro Cesar Almeida disputará o cinturão dos médios contra o atual campeão Donovan Wisse, do Suriname.
Cesinha Almeida disputa o cinturão dos médios – Divulgação/Glory
O combate será uma revanche. Almeida estreou pela organização contra Wisse na edição 74, em 2019, e foi derrotado por decisão unânime dos árbitros.
Em outubro do ano passado, o kickboxer paulista retornou ao ringue e venceu Serkan Ozcaglayan, o que garantiu a primeira colocação no ranking da categoria e a vaga como desafiante.
Wisse se tornou campeão em setembro de 2021. Ele nocauteou Yousri Belgaroui no Glory 78 e faturou o cinturão, vago na ocasião em virtude da ida de Alex Poatan Pereira para o UFC.
“Sempre sonhei com esse momento. Finalmente chegou a hora. Nossa batalha como atleta aqui no Brasil é diária, mas esse desafio será o mais importante da minha carreira. Ele (Wisse) também é um lutador inteligente, então o combate será definido nos detalhes. Estou na melhor forma física e técnica da minha vida. Podem esperar que será uma guerra muito bonita”, afirmou Almeida.
O Rivals 5 contará com participação de três brasileiros. O experiente Bruno Gazani estará em ação contra o norte-americano Nick Chasteen. Jonas Júlio e Renan Altamiro estrearão pelo evento, contra Javier Aparício (Argentina) e Ivan Galaz (Chile), respectivamente.
A série de eventos faz desafios de atletas do Glory com outras organizações. Desta vez, o intercâmbio será com o WON (War Of Nations), do México.
No Brasil, o Glory pode ser assistido no pay-per-view da organização (www.gloryfights.com). O Combate também transmite o evento. Consulte a grade de programação do canal.
Convidado do CONEXÃO PVT nesta segunda, Rafael Cordeiro comentou a saída de Kelvin Gastelum da luta do próximo sábado, contra Nassourdine Imavov, por conta de uma lesão na boca; revelou que Giga Chikadze está de luta marcada contra Sodiq Yusuff; disse acreditar que seu atleta Beneil Dariush deve enfrentar Charles Do Bronx ainda este ano; e que luta contra Alexander Volkanovski deve abrir caminho para criações de estratégias contra Islam Makhachev.
Colored smoke on a dark background. Blue and red light with smoke.
O potiguar Felipe Bunes é o novo campeão dos moscas do Legacy Fighting Alliance (LFA), uma das maiores organizações de MMA do mundo. Na última sexta-feira (6), quando o LFA realizou a sua edição de número 149 na cidade de Chandler, no Arizona, o atleta da Pitbull Brothers derrotou o japonês Yuma Horiuchi por nocaute técnico ainda no primeiro round e conquistou o tão almejado cinturão.
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“Fiquei muito feliz com a minha performance. Tomei uma mão dura porque sai da estratégia, mas logo em seguida eu me recuperei. Eu trabalhei muito para pegar o Yuma Horiuchi com esse cruzado. Eu falei para o Max Soares, que é o narrador brasileiro, e para o Chinzo Machida, que foi comentarista desse evento, que iria ser assim. Então, aconteceu tudo conforme o planejado e agora eu sou o novo campeão peso-mosca da organização”, comemorou Felipinho.
Essa foi a segunda vitória de Felipinho na organização. Na luta anterior, o brasileiro bateu o dominicano Wascar Cruz. Agora, com o cinturão do LFA, Felipinho espera ser contratado pelo UFC.
“O LFA é o evento que mais coloca atletas no UFC. Então, o caminho é esse. Eu espero que o contrato venha logo, pois a categoria está bem movimentada e eu quero bater de frente com esses caras”, concluiu o lutador.
Um dos principais projetos sociais voltado a artes marciais do Brasil, o Instituto Faixa-Preta de Jesus promoveu no última semana de 2022, no Recreio dos Bandeirantes, a 11ª edição do Surf School Experience, que apresenta aos alunos as noções básicas do surfe.
Em dia propício ao aprendizado da modalidade, com ondas de cerca de meio metro, 20 crianças da Baixada Fluminense foram levadas ao Posto 12 da praia do Recreio para experimentarem o surfe sob as instruções da equipe da Frank Point Surf.
Vale destacar que, no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, a cultura do surfe tem uma influência do jiu-jitsu, devido aos membros da família Gracie que pegavam onda nos anos 1970 e 1980, como Relson e Rickson.
Parceiro de longa data da Legião da Boa Vontade e da Super Rádio Brasil AM 940, o Instituto Faixa-Preta de Jesus trabalha, desde 2007, no combate às drogas e à pedofilia através de oportunidades a jovens da Baixada Fluminense.
Ao longo desses 15 anos, passaram pelo projeto mais de 45 mil alunos. São atendidos, de segunda a sexta, 500 alunos, que recebem, além de aulas de artes marciais, alimentação e atendimentos de médicos sociais.
Os interessados em contribuir para o projeto podem fazer doações através dos seguintes canais:
Após vencer Alex Morono em sua última luta, Santiago Ponzinibbio quer um oponente que o eleve no ranking dos meio-médios do UFC. Pronto para qualquer desafio, ele afirma estar à disposição da organização para ser reserva caso a luta entre Khamzat Chimaev e Colby Covington realmente seja confirmada.
Hexacampeão mundial de jiu-jitsu e bicampeão do ADCC, Saulo Ribeiro relembrou os momentos mais marcantes de sua trajetória, desde o início no tatame, passando pelos clássicos e os títulos com e sem kimono. O faixa-preta de Royler Gracie também falou dos treinos com Hélio, Rickson e Royce; uma passagem com Carlson e analisou o atual cenário do grappling.
Patrício venceu o compatriota Kleber Koike no evento (Foto: Rizin)
No último dia 31 de dezembro, Patrício Pitbull esteve em ação novamente, só que dessa vez longe do cage do Bellator. O brasileiro participou de um evento entre atletas do Rizin contra os do Bellator, que aconteceu no Japão, onde venceu Kleber Koike, campeão dos penas da franquia asiática, por decisão unânime dos jurados. A realização desse show marcou um fato que sempre foi pedido pelo brasileiro e ele se mostrou empolgado com isso.
Patrício venceu o compatriota Kleber Koike no evento (Foto: Rizin)
Há anos, Patrício faz campanha para confrontos entre organizações, mirando duelos com os principais nomes do UFC. Apesar do Bellator ter sido dominante no show e vencido as cinco lutas, o brasileiro afirmou que espera que esse evento tenha aberto portas para outras companhias também se aventurarem nessa ideia.
“Acredito que tiveram umas lutas que foram apertadas e pudessem dar a vitória para outro lado. Então acho que pode ser o primeiro passo no esporte para lutas entre organizações e espero que seja”, afirmou o campeão dos penas do Bellator.
Sobre o confronto, Patrício lamentou não ter podido dar o show que estava planejando, pois anteriormente havia prometido um nocaute para os fãs japoneses, e condicionou esta questão pela estratégia feita pelo oponente.
“Gostaria de ter feito uma luta mais empolgante, mas o mais importante foi a vitória, sobre um atleta que tem um destaque grande na Ásia, tem um cartel impressionante, com várias finalizações e não é à toa que está com o cinturão. Ele conseguiu fazer um anti jogo bem feito para não ser tão atingido em pé, ficou recuado e até acertou alguns chutes nos ataques que dei, mas eram chutes para manter a distância. Funcionou para eu não achar a brecha e ter um nocaute”, explicou.
Com mais um resultado positivo, o terceiro em 2022, Pitbull já deixou claro os seus planos para este ano, e eles são ambiciosos. O potiguar rechaçou ficar um longo período inativo após essa sequência de lutas e adiantou que tem como meta buscar mais dois cinturões para a sua galeria.
“Queria lutar pelo menos até abril. Temos que aproveitar o momento e trabalhar. Tem lutador que gosta de ficar metade do ano sem lutar, mas gosto de estar em ação. Campeão é feito de ritmo e entendo isso. Precisamos estar ali preparados para lutar por títulos e bater recordes. Queria agora ter a chance de lutar pelo título do Rizin e também no peso-galo (do Bellator). O treinador do Sergio Pettis (campeão dos galos do Bellator) já se manifestou e pediu a luta nas redes sociais. Também quero defender, pelo menos, duas vezes o título dos penas do Bellator”, completou.