Ícaro Brito levou a melhor sobre o até então invicto Inglesson de Lara por decisão unânime na luta principal da segunda edição do R1 Fighting Series, realizado no último domingo (28) no município paulista de Caraguatatuba.

Dois jurados deram 30 a 27 para Ícaro Brito, comprovando sua superioridade nos três rounds. Com este resultado, ele agora ostenta um cartel de seis vitórias e apenas um revés. A maioria de seus triunfos foi por nocaute.
Com um ground and pound furioso, Geovanis Palacios derrotou André Soares no final do primeiro round. André “Mascote” acertou um cruzado impiedoso de direita para mandar Alexandre Rodrigues para a lona aos 56 segundos de luta.
Já no card de MMA amador os vencedores foram Eduardo Dutra, Pedro Bugatti e Ketelyn Santos, que venceram por decisão unânime; e Leslie Jesus, responsável pelo único nocaute técnico, aos 58 segundos, da primeira parte do evento.
Os destaques do R1 Fighting Series automaticamente entram no radar do LFA. As fotos e os vídeos dos melhores momentos desta segunda edição estão disponíveis na conta oficial do evento no instagram (@r1fightingseries).
Confira abaixo os resultados completos:
R1 Fighting Series 2
CIDE Casa Branca, Caraguatatuba, SP
Domingo, 28 de maio
Card profissional:
Ícaro Brito venceu Inglesson de Lara por decisão unânime (30 x 27, 30 x 27 e 29 x 28)
Geovanis Palacios venceu André Soares por nocaute técnico aos 4min42s do R1
André Lima “Mascote” venceu Alexandre Rodrigues por nocaute aos 56s do R1
Daniela Antonelli venceu Waleska Sousa por decisão unânime (triplo 29 x 28)
Willians Nogueira finalizou Werick Douglas com um armlock a 1min12s do R3
Thayla Martinelli venceu Adrielle Castro por decisão unânime (triplo 30 x 27)
Card amador:
Eduardo Dutra venceu Gustavo Ribeiro por decisão unânime (30 x 27, 30 x 27 e 29 x 28)
Pedro Bugatti venceu Guilherme Moraes por decisão unânime (triplo 29 x 28)
Ketelyn Santos venceu Janiele Silva por decisão unânime (triplo 30 x 27)
Leslie Jesus venceu Lucas Rossner por nocaute técnico aos 58s do R1




















Em 1955, Pelé ainda não tinha trazido o primeiro caneco para o Brasil. E pior que isso. Nossa torcida ainda se recuperava do trauma do “Maracanazo”. Nesta realidade quem tinha status de herói era Hélio Gracie, que mesmo tendo perdido para o japonês Kimura (30kg mais pesado) numa luta de Jiu-Jitsu, já havia vencido muitos desafios de Vale-Tudo nos anos 30 e 40, passando a ser o queridinho da mídia.
Consultado por Waldemar, Hélio não quis permitir que o aluno lutasse no evento e ameaçou expulsá-lo. Waldemar ainda tentou convencê-lo que a luta seria para valer, explicando que precisava muito de dinheiro, mas Hélio deixou claro que o expulsaria caso aceitasse o desafio. Sem nenhuma perspectiva de fazer parte da equipe A que representava a academia Gracie na época, Waldemar acabou lutando. De fato foi uma luta pra valer e Santana venceu fácil, mas o mestre não quis conversa e o expulsou. O episódio geraria uma enorme celeuma na época com o jornalista da “Ultima Hora” Carlos Renato, criando a narrativa de que o aluno humilhado deveria responder ao mestre nos ringues.
O nocaute brutal sofrido por Hélio Gracie geraria um interesse imediato numa resposta da família, desta vez representada por Carlson Gracie. Carlson vingaria o tio Hélio numa luta de Vale-Tudo que lotou o Maracanãzinho em 1956. Mas mesmo após de ser derrotado pelo Gracie, Waldemar continuaria com seu status de grande ícone esportivo. Além de Carlson Gracie, com quem Waldemar lutou em cinco oportunidades (1 vitoria para o Gracie e 4 empates), o Leopardo Negro lutaria diversas vezes com outros grandes ícones de sua geração, como Ivan Gomes, Euclides Pereira e até mesmo com o japonês Masahiko Kimura, a quem enfrentou em Salvador nas regras do Vale-Tudo. O próprio Kimura narrou esta luta em sua biografia, reconhecendo que levou uma surra do baiano e a luta só foi declarada empate porque ele conseguiu chegar até o final.
Em 2022 a luta mais longa da história recebeu uma homenagem do poder publico através do projeto Negro Muro, que viabilizou uma bela pintura do artista Cazé em um muro localizado bem a frente da ACM, onde Hélio e Waldemar lutaram em 1955. Na cerimônia de inauguração, além da filha de Waldemar, Waldimara, estava presente João Alberto Barreto. Aluno mais fiel de Hélio Gracie e parceiro de treinos de Waldemar Santana. Carlson Gracie também recebeu uma homenagem em agosto de 2019, quando foi inaugurada uma estátua sua em tamanho natural, na saída do metrô de Copacabana, a poucos metros da academia onde formou tantos campeões. A comunidade da luta agora aguarda ansiosa a aprovação do projeto que prevê uma estátua dos criadores da dinastia Gracie, os irmãos Carlos e Hélio, juntos.

